Celso Furtado juntamente com Prebisch e Fernando Henrique Cardoso são os teóricos do processo de dependência econômica da América Latina. Seus estudos foram importantes para entender o papel das economias ditas subdesenvolvidas na economia mundial. Celso Furtado buscou dentro da percepção histórica da macroeconomia a explicação para problemas econômicos e suas possíveis soluções. Seus estudos são de grande valia para entender o desenvolvimento econômico e suas nuances, principalmente no que tange aos países da América Latina.
A crescente busca por mercado consumidor, por parte das empresas multinacionais, faz com que haja uma nova política na qual os governos periféricos “redistribuem” renda, principalmente por meio de programas de combate à pobreza e melhoria do crédito. Resultado: crescente endividamento das famílias.
A questão ambiental permeia a discussão em Furtado (1996, p. 12), segundo o qual “a evidência à qual não podemos escapar é que em nossa civilização a criação de valor econômico provoca, na grande maioria dos casos, processos irreversíveis de degradação do mundo físico.” O que demonstra uma antecipação sobre a situação atual em que a preocupação ambiental toma conta dos noticiários e das estratégias governamentais.
Para Furtado (1996, p.14) o “subdesenvolvimento está ligado a uma maior heterogeneidade tecnológica, a qual reflete a natureza das relações externas.” Relações estas estabelecidas entre países ditos “cêntricos” e países em desenvolvimento, nas quais as relações de troca tendem a ser mais proveitosa para os países ricos, que possuem maior poderio tecnológico. E que por isso possui uma maior excedente com o qual,
cria a diferença fundamental e dá origem à linha divisória entre desenvolvimento e subdesenvolvimento é a orientação dada à utilização do excedente engendrado pelo incremento de produtividade. A atividade industrial tende a concentrar grande parte do excedente em poucas mãos e a conservá-lo sob controle do grupo social diretamente comprometido com o processo produtivo. (FURTADO, 1996, p.23)
O consumo é descrito em Furtado (1996, p.24) como a forma de inserção dos países subdesenvolvidos em outro degrau de desenvolvimento, “é pelo lado da demanda de bens finais de consumo que esses países se inserem mais profundamente na civilização industrial.” Furtado (1996, p.45) também enfatiza que
o dinamismo econômico no centro do sistema decorre do fluxo de novos produtos e da elevação dos salários reais que permite a expansão do consumo de massa. Em contraste, o capitalismo periférico engendra o mimetismo cultural e requer permanente concentração de renda a fim de que as minorias possam reproduzir as formas de consumo dos países cêntricos.
A questão da entrada de empresas multinacionais em países subdesenvolvidos é tratada por Furtado (1996, p.25) como “a rápida industrialização da periferia do mundo capitalista, sob a direção de empresas dos países cêntricos, que se observou a partir do segundo conflito mundial, corresponde a uma terceira fase na evolução do capitalismo industrial.” Ou seja, a expansão das economias “cêntricas” encontrou alternativa na conseqüente entrada de empresas multinacionais nos países em desenvolvimento, os quais, dada a necessidade de celeridade em seu processo de crescimento, se sujeitou a aceitar estas empresas e suas exigências. Dessa forma, segundo Furtado (1996, p.26) “a formação, a partir da segunda metade dos anos de 1960, de um importante mercado internacional de capitais constitui o coroamento desse processo, pois permite às grandes empresas liberarem-se de muitas limitações criadas pelos sistemas monetários e financeiros nacionais.” Mas, como tanto a estabilidade quanto a expansão dessas economias dependem fundamentalmente das transações internacionais e estas estão sob o controle das grandes empresas, as relações dos Estados nacionais com estas últimas tenderam a ser relações de poder. Dessa forma, “uma grande empresa que orienta seus investimentos para a periferia está em condições de aumentar sua capacidade competitiva graças à utilização de uma mão-de-obra mais barata em termos dos produtos que lança no mercado” (FURTADO, 1996, p.51). Esta combinação entre custos baixos proporcionado pela mão-de-obra barata e a relação com as instituições governamentais fizeram com que as empresas multinacionais obtivessem grande vantagem comparativa em relação às empresas nacionais. Neste sentido, Furtado (1996, p. 67) deixa claro que
parece inegável que a periferia terá crescente importância nessa evolução, não só porque os países cêntricos serão cada vez mais dependentes de recursos naturais não reprodutíveis por ela fornecidos, mas também porque as grandes empresas encontrarão na exploração de sua mão-de-obra barata um dos principais pontos de apoio para se firmar no conjunto do sistema.”
Com este tipo de relação conforme Furtado (1996, p.79), “o processo de acumulação tende a ampliar o fosso entre um centro em crescente homogeneização e uma constelação de economias periféricas, cujas disparidades continuam a se acentuar.”
Para Furtado (1996, p. 87), “a nova orientação do desenvolvimento teria de ser num sentido muito mais igualitário, favorecendo as formas coletivas de consumo e reduzindo o desperdício provocado pela extrema diversificação dos atuais padrões de consumo privado dos grupos privilegiados.” A conclusão geral que surge é que a hipótese de extensão ao conjunto do sistema capitalista das formas de consumo que prevalecem atualmente nos países cênctricos não tem cabimento dentro das possibilidades evolutivas aparentes desse sistema. Pois conforme Furtado (1992, p. 08) “quanto mais alto o nível de vida das gerações presentes, maiores serão os problemas que deverão enfrentar as futuras.” Enquanto Furtado (1992) defende que o consumo interno deve ser resultado do aumento da massa salarial, a políticas governamentais procuram atingir esta meta através da transferência de renda e aumento do crédito.
A questão a ser discutida é sobre as conseqüências dessa política governamental para aumentar o consumo. Até quando as famílias irão suportar o seu endividamento?
Referências bibliográficas
FURTADO, C. O mito do desenvolvimento econômico. 4. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.
FURTADO, C. O Subdesenvolvimento revisitado. Economia e Sociedade, n. 1, p. 5-19, ago. 1992.
quinta-feira, fevereiro 24, 2011
quarta-feira, fevereiro 16, 2011
A questão da agricultura em Rondônia vis a vis políticas públicas: análise a partir de Bourdieu
Através das leituras em Bourdieu (1998; 2005) e utilizando o conceito de campo, será demonstrada a relação dos agricultores familiares com seu meio, buscando entender a questão da cultura local.
A colonização de Rondônia se acelerou concomitantemente com a construção da Transamazônica, que permitiu a fixação de famílias ao longo da rodovia através de políticas governamentais que incentivavam o povoamento da região. Rondônia possui duas levas de imigrantes distintas, ao sul estão imigrantes oriundos do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e, em menor parte, de São Paulo, ao norte estão imigrantes oriundos da Região Nordeste do Brasil. A região Norte de Rondônia foi colonizada por nordestinos devido à incentivos para povoamento da Região, enquanto o Sul teve seu desenvolvimento pautado pela busca por novas oportunidades agrícolas e se desenvolveu posteriormente à colonização do Norte.
Enquanto o Sul de Rondônia possui uma agricultura mais avançada, no Norte predomina a agricultura de subsistência, fato este que caracteriza as discrepâncias entre as culturas de colonização. Enquanto que no Sul os agricultores se organizam e conseguem, dessa forma, pressionar as instituições públicas por melhorias, no Norte ainda não há esta organização, tornando mais difícil seu desenvolvimento. A destinação da produção também é diferenciada, no Sul ela é voltada para o mercado local, nacional e internacional, no Norte ela é voltada para consumo local.
As políticas públicas desenvolvidas no Norte de Rondônia procuram desenvolver uma agricultura sustentável, ou seja, uma agricultura baseada na produção com manutenção do meio ambiente, para isso recorre-se aos sistemas agroflorestais.
Para análise da forma de colonização e principalmente para entender o processo de produção de Rondônia utilizando o conceito de campo, é necessário explicitar aqui como ele é definido segundo Bourdieu (2005). Em termos analíticos, um campo pode ser definido como uma rede ou uma configuração de relações objetivas entre posições (de domínio ou subordinação). Estas posições estão objetivamente definidas, em sua existência e nas determinações que impõem sobre seus ocupantes, agentes ou instituições, por sua situação presente e potencial na estrutura de distribuição de espécies de capital cuja posse comanda o acesso a vantagens específicas que estão em jogo no campo, assim como por sua relação objetiva com outras posições. Nesse contexto pode-se estabelecer características que denotam campos diferentes entre as regiões Norte e Sul de Rondônia, enquanto aquela ainda se mantém em um sistema primitivo de produção, aceitando as determinações de comando vindo de fora, esta se estabelece como uma unidade na qual as decisões são tomadas endogenamente, repercutindo em ações junto às instituições públicas quanto as suas políticas.
Outra característica enfatizada por Bourdieu (2005) na questão do conceito de campo é a de que os participantes de um campo, indústria, comércio ou serviços, buscam constantemente introduzir diferenciação em seus produtos, buscando se estabelecer no mercado com mais força de que seus rivais, ou seja, como espaço de forças potenciais e ativas, o campo é também um campo de lutas que tende a preservar ou transformar a configuração destas forças. As estratégias dos agentes dependem de sua posição no campo, isto é, na distribuição de capital específico e da percepção que tenham do campo segundo o ponto de vista que adotem sobre o campo. Neste sentido, a Região Norte tende a reproduzir uma competição intra-campo que procura manter o status quo existente, sem que esta competição faça diferença no estabelecimento de metas entre os integrantes do campo, cada qual procura produzir o suficiente para si sem se importar com a reprodução ampliada do capital. A Região Sul por outro lado, procura a inserção no mercado capitalista através da participação de seus membros de forma coletiva. A competição existe como forma de fortalecer o grupo, transformando em resultado comum toda as externalidades criadas pelas inovações que venham a ser introduzidas.
Para Bourdieu (2005), o sistema escolar, o Estado, a igreja, os partidos políticos ou os sindicatos são campos. Em um campo, os agentes e as instituições lutam constantemente, de acordo com as regularidades e regras constituídas. Os que dominam um campo dado estão em posição de fazê-lo funcionar para sua conveniência, mas sempre devem enfrentar a resistência e as pretensões dos dominados. As regiões Norte e Sul de Rondônia possuem instituições que promovem políticas similares com resultados diferentes, as demandas são diferenciadas, fazendo com que cada região reaja conforme as forças de poder estabelecidas.
Segundo Bourdieu (2005), as práticas moldam uma economia, isto é, seguem uma razão imanente que não pode restringir à razão econômica, pois a economia das práticas pode ser definida em referência a um amplo espectro de funções e finalidade. Neste sentido, a Região Norte deve ser analisada em diversos aspectos, atentando para as suas características culturais e forças presentes. É necessário buscar através de pesquisas in loco a vocação da Região procurando respeitar o que for encontrado e transformar a realidade através de políticas que se adéquam a um novo panorama, diferente de outras regiões.
A grande questão a ser discutida é como fazer com que os indivíduos componentes dessa Região estabeleçam novas diretrizes para a sua manutenção e crescimento econômico. Como transformar sem que haja uma ruptura, a qual, como já foi tentada por outras políticas públicas, não se mostrou eficaz.
Referências bibliográficas
BOURDIEU, P. O poder simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998.
BOURDIEU, P. El propósito de la sociologia reflexiva (Seminário de Chicago) In:
BOURDIEU, P. WACQUANT, L. Uma invitación a la sociologia reflexiva. México; Siglo XXI Ed, 2005.
A colonização de Rondônia se acelerou concomitantemente com a construção da Transamazônica, que permitiu a fixação de famílias ao longo da rodovia através de políticas governamentais que incentivavam o povoamento da região. Rondônia possui duas levas de imigrantes distintas, ao sul estão imigrantes oriundos do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e, em menor parte, de São Paulo, ao norte estão imigrantes oriundos da Região Nordeste do Brasil. A região Norte de Rondônia foi colonizada por nordestinos devido à incentivos para povoamento da Região, enquanto o Sul teve seu desenvolvimento pautado pela busca por novas oportunidades agrícolas e se desenvolveu posteriormente à colonização do Norte.
Enquanto o Sul de Rondônia possui uma agricultura mais avançada, no Norte predomina a agricultura de subsistência, fato este que caracteriza as discrepâncias entre as culturas de colonização. Enquanto que no Sul os agricultores se organizam e conseguem, dessa forma, pressionar as instituições públicas por melhorias, no Norte ainda não há esta organização, tornando mais difícil seu desenvolvimento. A destinação da produção também é diferenciada, no Sul ela é voltada para o mercado local, nacional e internacional, no Norte ela é voltada para consumo local.
As políticas públicas desenvolvidas no Norte de Rondônia procuram desenvolver uma agricultura sustentável, ou seja, uma agricultura baseada na produção com manutenção do meio ambiente, para isso recorre-se aos sistemas agroflorestais.
Para análise da forma de colonização e principalmente para entender o processo de produção de Rondônia utilizando o conceito de campo, é necessário explicitar aqui como ele é definido segundo Bourdieu (2005). Em termos analíticos, um campo pode ser definido como uma rede ou uma configuração de relações objetivas entre posições (de domínio ou subordinação). Estas posições estão objetivamente definidas, em sua existência e nas determinações que impõem sobre seus ocupantes, agentes ou instituições, por sua situação presente e potencial na estrutura de distribuição de espécies de capital cuja posse comanda o acesso a vantagens específicas que estão em jogo no campo, assim como por sua relação objetiva com outras posições. Nesse contexto pode-se estabelecer características que denotam campos diferentes entre as regiões Norte e Sul de Rondônia, enquanto aquela ainda se mantém em um sistema primitivo de produção, aceitando as determinações de comando vindo de fora, esta se estabelece como uma unidade na qual as decisões são tomadas endogenamente, repercutindo em ações junto às instituições públicas quanto as suas políticas.
Outra característica enfatizada por Bourdieu (2005) na questão do conceito de campo é a de que os participantes de um campo, indústria, comércio ou serviços, buscam constantemente introduzir diferenciação em seus produtos, buscando se estabelecer no mercado com mais força de que seus rivais, ou seja, como espaço de forças potenciais e ativas, o campo é também um campo de lutas que tende a preservar ou transformar a configuração destas forças. As estratégias dos agentes dependem de sua posição no campo, isto é, na distribuição de capital específico e da percepção que tenham do campo segundo o ponto de vista que adotem sobre o campo. Neste sentido, a Região Norte tende a reproduzir uma competição intra-campo que procura manter o status quo existente, sem que esta competição faça diferença no estabelecimento de metas entre os integrantes do campo, cada qual procura produzir o suficiente para si sem se importar com a reprodução ampliada do capital. A Região Sul por outro lado, procura a inserção no mercado capitalista através da participação de seus membros de forma coletiva. A competição existe como forma de fortalecer o grupo, transformando em resultado comum toda as externalidades criadas pelas inovações que venham a ser introduzidas.
Para Bourdieu (2005), o sistema escolar, o Estado, a igreja, os partidos políticos ou os sindicatos são campos. Em um campo, os agentes e as instituições lutam constantemente, de acordo com as regularidades e regras constituídas. Os que dominam um campo dado estão em posição de fazê-lo funcionar para sua conveniência, mas sempre devem enfrentar a resistência e as pretensões dos dominados. As regiões Norte e Sul de Rondônia possuem instituições que promovem políticas similares com resultados diferentes, as demandas são diferenciadas, fazendo com que cada região reaja conforme as forças de poder estabelecidas.
Segundo Bourdieu (2005), as práticas moldam uma economia, isto é, seguem uma razão imanente que não pode restringir à razão econômica, pois a economia das práticas pode ser definida em referência a um amplo espectro de funções e finalidade. Neste sentido, a Região Norte deve ser analisada em diversos aspectos, atentando para as suas características culturais e forças presentes. É necessário buscar através de pesquisas in loco a vocação da Região procurando respeitar o que for encontrado e transformar a realidade através de políticas que se adéquam a um novo panorama, diferente de outras regiões.
A grande questão a ser discutida é como fazer com que os indivíduos componentes dessa Região estabeleçam novas diretrizes para a sua manutenção e crescimento econômico. Como transformar sem que haja uma ruptura, a qual, como já foi tentada por outras políticas públicas, não se mostrou eficaz.
Referências bibliográficas
BOURDIEU, P. O poder simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998.
BOURDIEU, P. El propósito de la sociologia reflexiva (Seminário de Chicago) In:
BOURDIEU, P. WACQUANT, L. Uma invitación a la sociologia reflexiva. México; Siglo XXI Ed, 2005.
terça-feira, fevereiro 15, 2011
A questão da redução sociológica em Guerreiro Ramos e sua dificuldade de aplicação na visão de Tragtenberg e Motta
Para entender o conceito de redução sociológica é preciso entender que consciência crítica, conforme Ramos (1965, p. 61), “surge quando um ser humano ou um grupo social reflete sobre tais determinantes e se conduz diante deles como sujeito. Distingue-se da consciência ingênua que é puro objeto de determinações exteriores.” Os determinantes nesse caso devem ser percebidos através de seus fatores, levando a aquisição da consciência crítica. Nesse contexto, Ramos (1965, p. 81), explicita que,
No domínio restrito da sociologia, a redução é uma atitude metódica que tem por fim
descobrir os pressupostos referenciais, de natureza histórica, dos objetos e fatos da realidade social. A redução sociológica, porém, é ditada não somente pelo imperativo de conhecer, mas também pela necessidade social de uma comunidade que, na realização de seu projeto de existência histórica, tem de servir-se da experiência de outras comunidades.
A realidade de cada comunidade é criada a partir de experiências particulares, as quais moldam uma cultura diferenciada. Os estudos realizados em outras comunidades servem como apoio ao entendimento geral em prol de uma teoria unificada, mas não servem como modelo a ser aplicado sem que se faça uma reflexão in loco do objeto estudado. Ramos (1965) mostra pelas discrepâncias entre a realidade dos Estados Unidos e Brasil, as quais diferem quanto ao enfoque dos estudos sociológicos, ou seja, o que é aplicado lá como estudo e teoria, não reflete as condições e realidade de pesquisa aqui no Brasil. Nesse sentido, Ramos (1965, p. 89), destaca que:
É certo que, na sociedade brasileira, se verificam situações que os sociólogos norte-americanos estudam à luz de conceitos como ‘controle social’, ‘assimilação’, ‘acomodação’, ‘conflito’, ‘isolamento’, ‘contato’ e, portanto, esses conceitos são aqui aplicáveis. Mas o importante é assinalar que tais situações, na etapa atual do Brasil, não têm a mesma relevância que nos Estados Unidos.”
Um importante aspecto em Ramos (1965, p.112), é a lei do comprometimento, a qual ressalta que “nos países periféricos, a idéia e a prática da redução sociológica somente pode ocorrer ao cientista social que tenha adotado sistematicamente uma posição de engajamento ou de compromisso consciente com seu contexto.” A posição de engajamento é,
baseada numa crítica radical, ou seja, numa reflexão sobre os fundamentos existenciais da ciência em ato ou da produção cientifica [...] é também a condição indispensável para que o cientista desses países se libere da ‘servidão intelectual’, transcenda a condição de copista e repetidor e ingresse num plano teórico eminente. (RAMOS, 1965, p. 113)
Ramos (1965) aponta para a importância de originalidade nos estudos para a transformação da realidade local. É buscando pesquisar com vistas ao futuro que o cientista consegue vislumbrar a redução sociológica, contribuindo para a não assimilação automática do saber estrangeiro.
A necessidade de se elaborar novos estudos com premissa de redução sociológica tem como pré-requisito a libertação de esquemas pré-concebidos aplicados nas universidades brasileiras. Só com mudanças na forma de ensino, impregnada de uma sistematização burocrática, voltada para o mercado capitalista, é possível superar a mesmice. Nesse sentido Tragtenberg (2004, p.12) defende que a universidade,
forma mão-de-obra destinada a manter nas fábricas o nepotismo do capital; nos institutos de pesquisa, cria aqueles que deformam dados econômicos em detrimento dos assalariados; nas suas escolas de direito, forma os aplicados de legislação de exceção; nas escolas de medicina, aqueles que irão convertê-la numa medicina do capital ou utiliza-la repressivamente contra os deserdados do sistema. Em suma, trata-se de “um complô de belas almas” recheadas de títulos acadêmicos, de doutorismo substituindo o bacharelismo, de uma nova pedantocracia, da produção de um saber a serviço do poder, seja ele de que espécie for.
Lobrot (1973, apud Motta, 1990, p. 48), destaca a questão do ensino sistemático sem reflexão, uma vez que,
o docente acha-se em situação semelhante à do aluno que percorre a infinidade de séries e níveis que vão da pré-escola à universidade e, cada vez mais, às pós-graduações exigidas por um mercado onde a oferta de pessoal formalmente educado é cada vez maior. É desnecessário insistir no papel dos exames e das notas, que se tornam necessárias à medida que todo o sistema é disfuncional. Não havendo qualquer possibilidade de um acompanhamento personalizado, o professor nada pode fazer além de tentar julgar por exames e notas.
Além disso, Tragtenberg (2004) também destaca a questão da universidade como uma “multiversidade” a qual está à venda quando oferece vários cursos com a simples motivação capitalista. A universidade também se torna uma multiversidade quando suas pesquisas são totalmente enviesadas para atender o mercado, esquecendo o caráter substancial inserido em sua missão, que é de retornar à sociedade os frutos de seu trabalho.
A questão a ser discutida é como as pesquisas no Brasil que podem obter um objetivo mais original baseado na redução sociológica, dado que as universidades possuem um viés para o mercado.
Referências bibliográficas
GUERREIRO RAMOS, ALBERTO. A redução sociológica. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1965.
MOTTA, C.F.P. Organização e Poder: Empresa, Estado e Escola. São Paulo: Atlas, 1990.
TRAGTENBERG, M. Sobre educação, política e sindicalismo. São Paulo: Editora UNESP, 2004.
No domínio restrito da sociologia, a redução é uma atitude metódica que tem por fim
descobrir os pressupostos referenciais, de natureza histórica, dos objetos e fatos da realidade social. A redução sociológica, porém, é ditada não somente pelo imperativo de conhecer, mas também pela necessidade social de uma comunidade que, na realização de seu projeto de existência histórica, tem de servir-se da experiência de outras comunidades.
A realidade de cada comunidade é criada a partir de experiências particulares, as quais moldam uma cultura diferenciada. Os estudos realizados em outras comunidades servem como apoio ao entendimento geral em prol de uma teoria unificada, mas não servem como modelo a ser aplicado sem que se faça uma reflexão in loco do objeto estudado. Ramos (1965) mostra pelas discrepâncias entre a realidade dos Estados Unidos e Brasil, as quais diferem quanto ao enfoque dos estudos sociológicos, ou seja, o que é aplicado lá como estudo e teoria, não reflete as condições e realidade de pesquisa aqui no Brasil. Nesse sentido, Ramos (1965, p. 89), destaca que:
É certo que, na sociedade brasileira, se verificam situações que os sociólogos norte-americanos estudam à luz de conceitos como ‘controle social’, ‘assimilação’, ‘acomodação’, ‘conflito’, ‘isolamento’, ‘contato’ e, portanto, esses conceitos são aqui aplicáveis. Mas o importante é assinalar que tais situações, na etapa atual do Brasil, não têm a mesma relevância que nos Estados Unidos.”
Um importante aspecto em Ramos (1965, p.112), é a lei do comprometimento, a qual ressalta que “nos países periféricos, a idéia e a prática da redução sociológica somente pode ocorrer ao cientista social que tenha adotado sistematicamente uma posição de engajamento ou de compromisso consciente com seu contexto.” A posição de engajamento é,
baseada numa crítica radical, ou seja, numa reflexão sobre os fundamentos existenciais da ciência em ato ou da produção cientifica [...] é também a condição indispensável para que o cientista desses países se libere da ‘servidão intelectual’, transcenda a condição de copista e repetidor e ingresse num plano teórico eminente. (RAMOS, 1965, p. 113)
Ramos (1965) aponta para a importância de originalidade nos estudos para a transformação da realidade local. É buscando pesquisar com vistas ao futuro que o cientista consegue vislumbrar a redução sociológica, contribuindo para a não assimilação automática do saber estrangeiro.
A necessidade de se elaborar novos estudos com premissa de redução sociológica tem como pré-requisito a libertação de esquemas pré-concebidos aplicados nas universidades brasileiras. Só com mudanças na forma de ensino, impregnada de uma sistematização burocrática, voltada para o mercado capitalista, é possível superar a mesmice. Nesse sentido Tragtenberg (2004, p.12) defende que a universidade,
forma mão-de-obra destinada a manter nas fábricas o nepotismo do capital; nos institutos de pesquisa, cria aqueles que deformam dados econômicos em detrimento dos assalariados; nas suas escolas de direito, forma os aplicados de legislação de exceção; nas escolas de medicina, aqueles que irão convertê-la numa medicina do capital ou utiliza-la repressivamente contra os deserdados do sistema. Em suma, trata-se de “um complô de belas almas” recheadas de títulos acadêmicos, de doutorismo substituindo o bacharelismo, de uma nova pedantocracia, da produção de um saber a serviço do poder, seja ele de que espécie for.
Lobrot (1973, apud Motta, 1990, p. 48), destaca a questão do ensino sistemático sem reflexão, uma vez que,
o docente acha-se em situação semelhante à do aluno que percorre a infinidade de séries e níveis que vão da pré-escola à universidade e, cada vez mais, às pós-graduações exigidas por um mercado onde a oferta de pessoal formalmente educado é cada vez maior. É desnecessário insistir no papel dos exames e das notas, que se tornam necessárias à medida que todo o sistema é disfuncional. Não havendo qualquer possibilidade de um acompanhamento personalizado, o professor nada pode fazer além de tentar julgar por exames e notas.
Além disso, Tragtenberg (2004) também destaca a questão da universidade como uma “multiversidade” a qual está à venda quando oferece vários cursos com a simples motivação capitalista. A universidade também se torna uma multiversidade quando suas pesquisas são totalmente enviesadas para atender o mercado, esquecendo o caráter substancial inserido em sua missão, que é de retornar à sociedade os frutos de seu trabalho.
A questão a ser discutida é como as pesquisas no Brasil que podem obter um objetivo mais original baseado na redução sociológica, dado que as universidades possuem um viés para o mercado.
Referências bibliográficas
GUERREIRO RAMOS, ALBERTO. A redução sociológica. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1965.
MOTTA, C.F.P. Organização e Poder: Empresa, Estado e Escola. São Paulo: Atlas, 1990.
TRAGTENBERG, M. Sobre educação, política e sindicalismo. São Paulo: Editora UNESP, 2004.
terça-feira, janeiro 18, 2011
As organizações o ambiente e o meio-ambiente: as (in)certezas do futuro
As organizações são produto do meio ou o seu fim? O meio-ambiente vem passando por transformações resultantes da exploração desenfreada dos recursos naturais do planeta. A busca pelo lucro traz conseqüências visíveis, como aquecimento global, queimadas, enchentes dentre outras catástrofes. As organizações são atingidas por novas demandas originadas pela preocupação ambiental, que resultam em novos produtos e atitudes.
Analisar-se-á através das Teorias Organizacionais as reações das organizações dentro do panorama atual para seu fortalecimento e manutenção.
Donaldson (1998) demonstra que na escola clássica havia uma única estrutura organizacional que seria altamente efetiva para organizações de todos os tipos. Perrow (1967) ressalta que quanto mais codificado o conhecimento utilizado na organização e quanto menos exceções encontradas nas operações, mais o processo decisório poderia ser centralizado. Para Thompson (1967) as organizações tentam isolar suas principais tecnologias de produção num sistema fechado para emprestar-lhes eficiência, defendendo-as do meio ambiente. Lida-se com perturbações externas por meio de projeções, relatórios e outros mecanismos. Estudos mais recentes mostram novos enfoques sobre a organização, dentre elas a teoria da contingência descrita em Hinings (2003), a qual discute a questão organizacional levando em conta fatores como estratégia, tamanho, incerteza com relação às tarefas e tecnologia e incerteza ambiental. A teoria da contingência estrutural parte de um enfoque positivista para analisar o comportamento das organizações. Conforme Donaldson (1998), a teoria da contingência estabelece que não há uma estrutura organizacional única que seja altamente efetiva para todas as organizações. A otimização da estrutura variará de acordo como determinados fatores, tais como a estratégia da organização ou seu tamanho. Assim, a organização ótima é contingente a esses fatores, que são denominados fatores contingenciais.
A questão estrutural está relacionada com a especialização, padronização, centralização e formalização que auxiliam na produção gerencial coerente. Essas características organizacionais, por sua vez, refletem a influência do ambiente em que a organização está inserida. Assim, para ser efetiva, a organização precisa adequar sua estrutura a seus fatores contingenciais e assim ao ambiente. Para Donaldson (1998), a estrutura da organização é um conjunto recorrente de relacionamentos entre os membros da organização. Burns e Stalker (1961) destacam que quando uma organização enfrenta um ambiente estável, a estrutura mecanicista é mais efetiva; mas onde a organização enfrenta um alto grau de mudança tecnológica e de mercado, uma estrutura orgânica é necessária. Woodward (1965) defende a tecnologia como chave explicativa da estrutura organizacional. Chandler (1962) mostra que a estratégia determina a estrutura. Uma estratégia funcional ajusta-se a uma estratégia não diversificada, mas não se ajusta a uma estratégia diversificada em que uma estrutura divisional é requerida para o gerenciamento efetivo da complexidade de produtos e mercados muito diferentes.
A teoria institucional, por sua vez, demonstra que as organizações adotam estruturas e sistemas mais para ganhar legitimidade do que melhorar sua eficiência como ditado pelo senso de contingência. Para Aldrich (1979), as principais forças que as organizações devem levar em consideração são as outras organizações. As organizações não competem somente por recursos e clientes, mas por poder político e legitimação institucional, por adequação social, assim como por adequação econômica.
Segundo Selznick (1957) institucionalização é um processo. É algo contínuo na organização, refletindo a trajetória da organização, seus indivíduos, os grupos que foram criados e a forma como se adaptou ao ambiente. Institucionalizar é criar valor além dos requerimentos técnicos.
Laurence e Lorsh (1967) determinaram que a taxa de mudança ambiental afeta a diferenciação e a integração da organização. Para Donaldson (1998) a inovação ambiental leva a organização a aumentar seu grau de inovação pretendida, a qual é causa imediata da adoção de uma estrutura orgânica. Dessa forma a estrutura é causada diretamente por um fator interno e apenas indiretamente pelo ambiente. Ambos os fatores interno e externo são considerados contingenciais, mas uma afirmação mais parcimoniosa da teoria da contingência estrutural precisaria referir-se apenas ao fator interno. Portanto, muito dos fatores contingenciais da estrutura, tais como tamanho ou tecnologia, são internos à organização, ainda que reflitam o ambiente na forma de tamanho da população ou tecnologias comercialmente disponíveis. Assim, conquanto seja correto incluir fatores ambientais como contingências que moldam a estrutura, uma explicação suficiente pode ser obtida considerando-se apenas fatores internos como contingências. À medida que as organizações procuram inovar em produtos, serviços ou processos produtivos, as tarefas se tornam mais incertas.
Pfeffer e Salancik (1978) defendem que organizações dependem das condições de seu ambiente, por isso um entendimento completo sobre organizações depende do estudo da “ecologia das organizações”. Segundo Ranson, Hinings e Greenwood (1980) duas características do ambiente deve ser levado em conta na formulação da estrutura organizacional: as características socioeconômicas das infraestruturas e o ambiente institucional. Na estrutura socioeconômica devem ser considerados os aspectos físicos (ambiente geográfico e logística); econômicos (mercado, nível de emprego, tipos de indústrias e comércio; e os aspectos sociais (padrão demográfico, classe e padrão étnico). Segundo Yuchtman e Seashore (1967), Aldrich (1972) e Benson (1975) a oferta de recursos para a organização muda com o tempo, forçando uma adaptação em seus departamentos, decisões e procedimentos. Para Parsons (1953) as organizações operam em diferentes setores funcionais, sendo legitimada por valores diferenciados, exibem diferentes padrões de adaptação e são governadas por diferentes padrões de códigos e normas. Segundo Skowroneck (1982), a escolha atual e suas possibilidades dependem das restrições impostas e condicionadas por escolhas passadas. O enfoque em sistemas tende a compreender o comportamento como uma reflexão das características do sistema social contendo uma série de processos que são externos e restringem os atores. Enfatizando que cada ação advém do entendimento de cada indivíduo tem de sua ação e de outros, o conjunto de ação de referência resulta da restrição na qual o indivíduo constrói socialmente a sua realidade. O ambiente organizacional precisa ser concebido não somente como o local de oferta de recursos e processo de produção, mas também como uma fonte de entendimento para os membros das organizações (SILVERMAN, 1971).
Há uma tendência à homogeneização das organizações conforme destacam DiMaggio e Powell (2005), com destaque ao isomorfismo coercitivo, que resulta tanto de pressões informais exercidas sobre as organizações por outras organizações das quais elas dependem, e pelas expectativas culturais da sociedade em que as organizações atuam. Seguindo esta linha, Meyer e Rowan (1977) destacam que as organizações se tornam cada vez mais homogêneas dentro de determinados domínios e cada vez mais organizadas em torno de rituais de conformidade com as instituições maiores. Ao mesmo tempo as organizações estão cada vez menos determinada estruturalmente pelas restrições impostas por atividades técnicas e cada vez menos integradas por controles de resultados. Na medida que a mudança organizacional é algo não planejado e continua sendo fortemente apoiada por grupos que desejam influenciá-la, a atenção deveria ser direcionada a duas formas de poder: Conforme March e Simon (1958), a primeira é o poder de estabelecer premissas, definir normas e padrões que moldam e canalizam comportamentos. A segunda, conforme Domholf (1979), é o ponto de intervenção crítica em que as elites definem modelos apropriados de estrutura e política organizacional que permanecem inquestionados nos anos que se seguem.
Analisar-se-á através das Teorias Organizacionais as reações das organizações dentro do panorama atual para seu fortalecimento e manutenção.
Donaldson (1998) demonstra que na escola clássica havia uma única estrutura organizacional que seria altamente efetiva para organizações de todos os tipos. Perrow (1967) ressalta que quanto mais codificado o conhecimento utilizado na organização e quanto menos exceções encontradas nas operações, mais o processo decisório poderia ser centralizado. Para Thompson (1967) as organizações tentam isolar suas principais tecnologias de produção num sistema fechado para emprestar-lhes eficiência, defendendo-as do meio ambiente. Lida-se com perturbações externas por meio de projeções, relatórios e outros mecanismos. Estudos mais recentes mostram novos enfoques sobre a organização, dentre elas a teoria da contingência descrita em Hinings (2003), a qual discute a questão organizacional levando em conta fatores como estratégia, tamanho, incerteza com relação às tarefas e tecnologia e incerteza ambiental. A teoria da contingência estrutural parte de um enfoque positivista para analisar o comportamento das organizações. Conforme Donaldson (1998), a teoria da contingência estabelece que não há uma estrutura organizacional única que seja altamente efetiva para todas as organizações. A otimização da estrutura variará de acordo como determinados fatores, tais como a estratégia da organização ou seu tamanho. Assim, a organização ótima é contingente a esses fatores, que são denominados fatores contingenciais.
A questão estrutural está relacionada com a especialização, padronização, centralização e formalização que auxiliam na produção gerencial coerente. Essas características organizacionais, por sua vez, refletem a influência do ambiente em que a organização está inserida. Assim, para ser efetiva, a organização precisa adequar sua estrutura a seus fatores contingenciais e assim ao ambiente. Para Donaldson (1998), a estrutura da organização é um conjunto recorrente de relacionamentos entre os membros da organização. Burns e Stalker (1961) destacam que quando uma organização enfrenta um ambiente estável, a estrutura mecanicista é mais efetiva; mas onde a organização enfrenta um alto grau de mudança tecnológica e de mercado, uma estrutura orgânica é necessária. Woodward (1965) defende a tecnologia como chave explicativa da estrutura organizacional. Chandler (1962) mostra que a estratégia determina a estrutura. Uma estratégia funcional ajusta-se a uma estratégia não diversificada, mas não se ajusta a uma estratégia diversificada em que uma estrutura divisional é requerida para o gerenciamento efetivo da complexidade de produtos e mercados muito diferentes.
A teoria institucional, por sua vez, demonstra que as organizações adotam estruturas e sistemas mais para ganhar legitimidade do que melhorar sua eficiência como ditado pelo senso de contingência. Para Aldrich (1979), as principais forças que as organizações devem levar em consideração são as outras organizações. As organizações não competem somente por recursos e clientes, mas por poder político e legitimação institucional, por adequação social, assim como por adequação econômica.
Segundo Selznick (1957) institucionalização é um processo. É algo contínuo na organização, refletindo a trajetória da organização, seus indivíduos, os grupos que foram criados e a forma como se adaptou ao ambiente. Institucionalizar é criar valor além dos requerimentos técnicos.
Laurence e Lorsh (1967) determinaram que a taxa de mudança ambiental afeta a diferenciação e a integração da organização. Para Donaldson (1998) a inovação ambiental leva a organização a aumentar seu grau de inovação pretendida, a qual é causa imediata da adoção de uma estrutura orgânica. Dessa forma a estrutura é causada diretamente por um fator interno e apenas indiretamente pelo ambiente. Ambos os fatores interno e externo são considerados contingenciais, mas uma afirmação mais parcimoniosa da teoria da contingência estrutural precisaria referir-se apenas ao fator interno. Portanto, muito dos fatores contingenciais da estrutura, tais como tamanho ou tecnologia, são internos à organização, ainda que reflitam o ambiente na forma de tamanho da população ou tecnologias comercialmente disponíveis. Assim, conquanto seja correto incluir fatores ambientais como contingências que moldam a estrutura, uma explicação suficiente pode ser obtida considerando-se apenas fatores internos como contingências. À medida que as organizações procuram inovar em produtos, serviços ou processos produtivos, as tarefas se tornam mais incertas.
Pfeffer e Salancik (1978) defendem que organizações dependem das condições de seu ambiente, por isso um entendimento completo sobre organizações depende do estudo da “ecologia das organizações”. Segundo Ranson, Hinings e Greenwood (1980) duas características do ambiente deve ser levado em conta na formulação da estrutura organizacional: as características socioeconômicas das infraestruturas e o ambiente institucional. Na estrutura socioeconômica devem ser considerados os aspectos físicos (ambiente geográfico e logística); econômicos (mercado, nível de emprego, tipos de indústrias e comércio; e os aspectos sociais (padrão demográfico, classe e padrão étnico). Segundo Yuchtman e Seashore (1967), Aldrich (1972) e Benson (1975) a oferta de recursos para a organização muda com o tempo, forçando uma adaptação em seus departamentos, decisões e procedimentos. Para Parsons (1953) as organizações operam em diferentes setores funcionais, sendo legitimada por valores diferenciados, exibem diferentes padrões de adaptação e são governadas por diferentes padrões de códigos e normas. Segundo Skowroneck (1982), a escolha atual e suas possibilidades dependem das restrições impostas e condicionadas por escolhas passadas. O enfoque em sistemas tende a compreender o comportamento como uma reflexão das características do sistema social contendo uma série de processos que são externos e restringem os atores. Enfatizando que cada ação advém do entendimento de cada indivíduo tem de sua ação e de outros, o conjunto de ação de referência resulta da restrição na qual o indivíduo constrói socialmente a sua realidade. O ambiente organizacional precisa ser concebido não somente como o local de oferta de recursos e processo de produção, mas também como uma fonte de entendimento para os membros das organizações (SILVERMAN, 1971).
Há uma tendência à homogeneização das organizações conforme destacam DiMaggio e Powell (2005), com destaque ao isomorfismo coercitivo, que resulta tanto de pressões informais exercidas sobre as organizações por outras organizações das quais elas dependem, e pelas expectativas culturais da sociedade em que as organizações atuam. Seguindo esta linha, Meyer e Rowan (1977) destacam que as organizações se tornam cada vez mais homogêneas dentro de determinados domínios e cada vez mais organizadas em torno de rituais de conformidade com as instituições maiores. Ao mesmo tempo as organizações estão cada vez menos determinada estruturalmente pelas restrições impostas por atividades técnicas e cada vez menos integradas por controles de resultados. Na medida que a mudança organizacional é algo não planejado e continua sendo fortemente apoiada por grupos que desejam influenciá-la, a atenção deveria ser direcionada a duas formas de poder: Conforme March e Simon (1958), a primeira é o poder de estabelecer premissas, definir normas e padrões que moldam e canalizam comportamentos. A segunda, conforme Domholf (1979), é o ponto de intervenção crítica em que as elites definem modelos apropriados de estrutura e política organizacional que permanecem inquestionados nos anos que se seguem.
segunda-feira, agosto 02, 2010
Acerca das teorias organizacionais - Complexidade que envolve a definição de organizações
As teorias disponíveis sobre organizações trazem uma miríade de definições que perpassam o entendimento de um modelo geral. A utilização de artifícios para a busca de uma definição deixa escapar a verdadeira razão de ser de um objeto. Com as organizações não é diferente, basta passar os olhos pelo texto de Townley e Marsden para entender que a tarefa não é fácil. Os autores trazem Marx para a discussão procurando mostrar que ele, juntamente com Weber são os teóricos que mais se aproximaram de uma definição em seu tempo. Enquanto Marx explicava o motivo da existência, para os autores, Weber explicava o como.
Nesse ponto os autores poderiam ter se aprofundado na leitura em Marx, que por sua vez exige uma leitura mais aprofundada nos escritos de Adam Smith, Ricardo e Malthus. Veriam que Marx parte do pressuposto da acumulação primitiva do capital para explicar as origens das organizações modernas, que a partir dessa acumulação puderam então buscar no mercado a mercadoria força de trabalho para multiplicar seu capital. A forma de organização existente na época de Marx tem a mesma meta que a organização moderna, ou aquela estudada por Weber, elas existem e se expandem baseada na exploração da força de trabalho.
Weber é citado a partir do momento que a burocracia foi entendida como uma forma de tornar os negócios mais estruturados, ou seja, a organização já estava posta.
O sistema capitalista procura expandir a forma de exploração da mão-de-obra, nesse sentido, obras como a de Fayol, Taylor, Maslow e até mesmo a forma de produção flexível adotada pós anos 1970, fazem com que sejam criados mecanismos para a sua perpetuação.
A teoria contingencial se tornou a principal aliada nesse processo. Dentro de uma visão positivista e voltada para resultados econômicos, contribuiu para a melhoria de processos e para aumento da produtividade. Qualquer outro estudo que não fizesse parte da ciência normal estava fadado à marginalização.
A preocupação com o ser humano por trás das máquinas nunca foi objeto de estudo no sentido de melhorar as condições de trabalho visando a emancipação do trabalhador, pelo menos na ciência normal, em que a preocupação era fazer com que a produção e lucro fossem crescentes. Nesse sentido os estudos se pautavam na procura de melhoras no rendimento do trabalhador, as condições de trabalho deveriam ser propícias para que ao sentir bem, houvesse um retorno quantitativo para a empresa.
A partir do livro de Braverman no início dos anos 1970 e da piora das condições alicerçadas pela política baseada no Welfare State nos anos anteriores, há um retorno aos estudos sobre o papel do trabalhador nas organizações. A teoria crítica das organizações traz à tona o debate sobre o tipo de organização existente e seu papel perante a sociedade e seus colaboradores. Os estudos atuais apontam para a mudança na relação entre trabalhadores e organizações, mudanças que não afetam o motivo da existência da organização, apenas rotulam a exploração do trabalhador agora na forma de trabalho flexível, precarização, intensificação e aumento da jornada de trabalho. Tudo isso é fruto das reestruturações e reengenharias, que aliadas à novas tecnologias trouxeram novas formas de controle e maiores responsabilidades ao trabalhador, o qual não tem sossego nem em sua vida privada, uma vez que pode ser localizado facilmente através de e-mail ou telefone celular.
As organizações persistem, embora os tempos sejam outros, o motivo continua o mesmo – a acumulação de capital.
Nesse ponto os autores poderiam ter se aprofundado na leitura em Marx, que por sua vez exige uma leitura mais aprofundada nos escritos de Adam Smith, Ricardo e Malthus. Veriam que Marx parte do pressuposto da acumulação primitiva do capital para explicar as origens das organizações modernas, que a partir dessa acumulação puderam então buscar no mercado a mercadoria força de trabalho para multiplicar seu capital. A forma de organização existente na época de Marx tem a mesma meta que a organização moderna, ou aquela estudada por Weber, elas existem e se expandem baseada na exploração da força de trabalho.
Weber é citado a partir do momento que a burocracia foi entendida como uma forma de tornar os negócios mais estruturados, ou seja, a organização já estava posta.
O sistema capitalista procura expandir a forma de exploração da mão-de-obra, nesse sentido, obras como a de Fayol, Taylor, Maslow e até mesmo a forma de produção flexível adotada pós anos 1970, fazem com que sejam criados mecanismos para a sua perpetuação.
A teoria contingencial se tornou a principal aliada nesse processo. Dentro de uma visão positivista e voltada para resultados econômicos, contribuiu para a melhoria de processos e para aumento da produtividade. Qualquer outro estudo que não fizesse parte da ciência normal estava fadado à marginalização.
A preocupação com o ser humano por trás das máquinas nunca foi objeto de estudo no sentido de melhorar as condições de trabalho visando a emancipação do trabalhador, pelo menos na ciência normal, em que a preocupação era fazer com que a produção e lucro fossem crescentes. Nesse sentido os estudos se pautavam na procura de melhoras no rendimento do trabalhador, as condições de trabalho deveriam ser propícias para que ao sentir bem, houvesse um retorno quantitativo para a empresa.
A partir do livro de Braverman no início dos anos 1970 e da piora das condições alicerçadas pela política baseada no Welfare State nos anos anteriores, há um retorno aos estudos sobre o papel do trabalhador nas organizações. A teoria crítica das organizações traz à tona o debate sobre o tipo de organização existente e seu papel perante a sociedade e seus colaboradores. Os estudos atuais apontam para a mudança na relação entre trabalhadores e organizações, mudanças que não afetam o motivo da existência da organização, apenas rotulam a exploração do trabalhador agora na forma de trabalho flexível, precarização, intensificação e aumento da jornada de trabalho. Tudo isso é fruto das reestruturações e reengenharias, que aliadas à novas tecnologias trouxeram novas formas de controle e maiores responsabilidades ao trabalhador, o qual não tem sossego nem em sua vida privada, uma vez que pode ser localizado facilmente através de e-mail ou telefone celular.
As organizações persistem, embora os tempos sejam outros, o motivo continua o mesmo – a acumulação de capital.
terça-feira, julho 27, 2010
REDES SOCIAIS, AGENTES E AÇÃO SOCIAL: EM QUE OS ESCRITOS DE CLEGG E DE EMIRBAYER E GOODWIN PODEM COLABORAR?
Fazer uma comparação entre os escritos de Clegg, mais precisamente o primeiro capítulo de seu livro intitulado “As organizações modernas” e o artigo de Emirbayer e Goodwin sobre análise de rede, cultura e problema de agência, a princípio parece algo inconciliável. Numa primeira análise é fácil se prender nos objetos descritos, por um lado, Clegg escreve sobre o advento da pós-modernidade e as formas (ou não) de gestão, por outro lado, há uma discussão sobre análise de rede como método de pesquisa em sociologia, na qual os autores procuram descrever teorias adjacentes e suas falhas frente à sua proposta.
Relendo os trabalhos é possível contrastar relações e posicionamentos sobre metodologias de pesquisa, que traz à tona conceitos e situações utilizados pelos autores para reforçar indicações de caminhos para entendê-los e para serem utilizados em novas oportunidades de pesquisas.
Clegg (1998) demonstra que o processo de racionalização do mundo desembocaria no aprisionamento da humanidade numa masmorra, o colete de forças da burocracia, idéia que teve, até os dias de hoje, uma influência enorme e diversificada sobre a teorização das organizações realizada pelos cientistas sociais. O que resulta dizer segundo o autor, que a teoria organizacional é, em vários aspectos, uma disciplina modernista por excelência.
Quando Clegg (1998, p.07) afirma que “a moralidade da burocracia radica na sua promessa implícita de tratar cada um apenas de acordo com seu estatuto, enquanto membro da organização, independentemente de quaisquer outros aspectos da sua identidade”, demonstra que os cientistas sociais também “bebiam dessa fonte”, pois conforme Emirbayer e Goodwin (1994), os três modelos implícitos na literatura de análise de rede: modelos de relacionamento entre culturas, agência e estrutura social não tem conseguido explicar de forma satisfatória os processos históricos, pois devem levar em conta que um enfoque adequado da explanação histórica que contemple tanto a estrutura social como as perspectivas culturais na ação social. O que confirma que os princípios do universalismo burocrático insistiam que cada um devia ser tratado de acordo com os direitos, responsabilidade, normas e deveres inerentes à sua posição, enquanto membro de uma organização e a cor, sexo ou opção sexual devia ser totalmente irrelevante (CLEGG, 1998).
Enquanto Emirbayer e Goodwin (1994) defendem que idéias como estrutura social, centralidade de rede, distância, coesão e redes sociais, termos usados como metáforas por outros sociólogos, podem ser operacionalizados para propostas de pesquisa empírica, Clegg (1998) afirma que uma perspectiva contextualizada deve reconhecer a possibilidade de muitas entidades relevantes, para além do homo economicus, passíveis de incorporação e de uso. Pois para o autor as identidades não são transmitidas, nem emanam diretamente de uma cultura dominante. O que confirma segundo Emirbayer e Goodwin (1994), que a formação cultural habilita os atores históricos de diversas formas, por exemplo, pelo ordenamento de seus entendimentos do mundo social e de si mesmos, pela construção de suas identidades, metas, aspirações e pela representação de papeis significantes, ou não.
Para Clegg (1998, p. 09),
os agentes são experimentalistas pragmáticos num mundo potencialmente muito incerto, ambivalente, contraditório e ambíguo do que qualquer cientista natural podia prever em laboratório. Perante este quadro caótico, os agentes tentarão impor os seus próprios ‘circuitos de poder’, configurando o campo de ação em moldes que permitam realizar, por um lado, os seus interesses pessoais e, por outro, a adesão e adoção destes mesmos interesses por parte de outras agências. A construção de redes relativamente estáveis, com um número limitado de direções ou vias, sob o controle das agências em questão é um dos principais mecanismos de estabilização dos campos de força que as agências percorrem. Não raras vezes, a cultura foi considerada como uma dessas vias, mais precisamente sob a forma de conhecimentos religiosos, crenças e práticas referentes a toda uma população.
Nesse sentido, Emirbayer e Goodwin (1994), afirmam que as formações culturais são importantes porque tanto restringe como habilita atores históricos, da mesma forma das estruturas da rede. Estruturas culturais restringem os atores em certas possibilidades de ações. Bem como restringe os discursos com base no que é necessário para dizer o que os outros querem ouvir.
Além disso, a formação cultural habilita os atores históricos de diversas formas, por exemplo, pelo ordenamento de seus entendimentos do mundo social e de si mesmos, pela construção de suas identidades, metas, aspirações e pela representação de papeis significantes, ou não (EMIRBAYER E GOODWIN, 1994). Nesse sentido pode-se associar ao que Clegg (1998) chamou de desdiferenciação, que está presente na recusa pós-modernista de separar o autor da sua obra, ou a audiência da atuação; na transgressão pós-modernista da fronteira (mais bem ou mais mal sucedida) entre literatura e teoria, entre cultura de elite e cultura popular, entre o que é propriamente cultural e o que propriamente social. Que é complementado por Emirbayer e Goodwin (1994), que afirma que a autonomia individual é em si mesma um fenômeno construído; isto é, autonomia individual é somente possível pela multiplicidade de estruturas – societal e cultural – nas quais os atores sociais estão situados em algum dado momento. Também é possível através da localização dos atores entre a multiplicidade de culturas estruturais como idiomas, discursos e narrativas. Deve-se deixar claro que por outro lado, como afirma Clegg (1998), que as grandes narrativas do passado, com seus princípios de progresso, de racionalidade e de ciência deixaram de ter qualquer crédito.
Para Clegg (1998), os indivíduos e as agências, no interior e em redor das organizações, constituem atores cognoscíveis que ponderam os seus próprios interesses e as conveniências dos outros. As agências e os atores procuram influenciar as idéias veiculadas no quotidiano da vida, da tática e da estratégia organizacionais, recorrendo a todos os meios de podem dispor em situações mais ou menos complexas, caracterizadas por normas mais ou menos opacas e variáveis, tendo em vista o seu próprio proveito ou o de terceiros. Emirbayer e Goodwin (1994) enfatizam que agência humana significa que o momento de liberdade existe em uma dimensão analítica de toda instância empírica efetiva da ação social. Implica em toda capacidade socialmente incorporada dos atores em se apropriar, reproduzir e potencialmente inovar além da categoria cultural recebida e das condições de ação em acordo com seus ideais coletivos, interesses e comprometimentos.
Considerações finais
Dentro de cada área escolhida pelos autores supracitados há concordâncias ou entendimentos concernentes ao método de pesquisa. Cada qual de sua forma mostra a importância de estudos que contemplem aspectos que vão além do formal, que busquem entender a cultura e as estruturas nas quais os agentes participam. Cada época traz um arcabouço de referências necessárias para a interpretação de sua história, a busca por melhores entendimentos e análises é a melhor maneira de tentar entender o presente.
Referencias bibliográficas
CLEGG, S. R. As organizações modernas. Celta: Oieiras, Portugal, 1998.
EMIRBAYER, M.; GOODWIN, J. Network analysis, culture, and the problem of agency. The American Journal of Sociology, vol. 99, n. 6 (may). pp. 1411-1454. 1994.
Relendo os trabalhos é possível contrastar relações e posicionamentos sobre metodologias de pesquisa, que traz à tona conceitos e situações utilizados pelos autores para reforçar indicações de caminhos para entendê-los e para serem utilizados em novas oportunidades de pesquisas.
Clegg (1998) demonstra que o processo de racionalização do mundo desembocaria no aprisionamento da humanidade numa masmorra, o colete de forças da burocracia, idéia que teve, até os dias de hoje, uma influência enorme e diversificada sobre a teorização das organizações realizada pelos cientistas sociais. O que resulta dizer segundo o autor, que a teoria organizacional é, em vários aspectos, uma disciplina modernista por excelência.
Quando Clegg (1998, p.07) afirma que “a moralidade da burocracia radica na sua promessa implícita de tratar cada um apenas de acordo com seu estatuto, enquanto membro da organização, independentemente de quaisquer outros aspectos da sua identidade”, demonstra que os cientistas sociais também “bebiam dessa fonte”, pois conforme Emirbayer e Goodwin (1994), os três modelos implícitos na literatura de análise de rede: modelos de relacionamento entre culturas, agência e estrutura social não tem conseguido explicar de forma satisfatória os processos históricos, pois devem levar em conta que um enfoque adequado da explanação histórica que contemple tanto a estrutura social como as perspectivas culturais na ação social. O que confirma que os princípios do universalismo burocrático insistiam que cada um devia ser tratado de acordo com os direitos, responsabilidade, normas e deveres inerentes à sua posição, enquanto membro de uma organização e a cor, sexo ou opção sexual devia ser totalmente irrelevante (CLEGG, 1998).
Enquanto Emirbayer e Goodwin (1994) defendem que idéias como estrutura social, centralidade de rede, distância, coesão e redes sociais, termos usados como metáforas por outros sociólogos, podem ser operacionalizados para propostas de pesquisa empírica, Clegg (1998) afirma que uma perspectiva contextualizada deve reconhecer a possibilidade de muitas entidades relevantes, para além do homo economicus, passíveis de incorporação e de uso. Pois para o autor as identidades não são transmitidas, nem emanam diretamente de uma cultura dominante. O que confirma segundo Emirbayer e Goodwin (1994), que a formação cultural habilita os atores históricos de diversas formas, por exemplo, pelo ordenamento de seus entendimentos do mundo social e de si mesmos, pela construção de suas identidades, metas, aspirações e pela representação de papeis significantes, ou não.
Para Clegg (1998, p. 09),
os agentes são experimentalistas pragmáticos num mundo potencialmente muito incerto, ambivalente, contraditório e ambíguo do que qualquer cientista natural podia prever em laboratório. Perante este quadro caótico, os agentes tentarão impor os seus próprios ‘circuitos de poder’, configurando o campo de ação em moldes que permitam realizar, por um lado, os seus interesses pessoais e, por outro, a adesão e adoção destes mesmos interesses por parte de outras agências. A construção de redes relativamente estáveis, com um número limitado de direções ou vias, sob o controle das agências em questão é um dos principais mecanismos de estabilização dos campos de força que as agências percorrem. Não raras vezes, a cultura foi considerada como uma dessas vias, mais precisamente sob a forma de conhecimentos religiosos, crenças e práticas referentes a toda uma população.
Nesse sentido, Emirbayer e Goodwin (1994), afirmam que as formações culturais são importantes porque tanto restringe como habilita atores históricos, da mesma forma das estruturas da rede. Estruturas culturais restringem os atores em certas possibilidades de ações. Bem como restringe os discursos com base no que é necessário para dizer o que os outros querem ouvir.
Além disso, a formação cultural habilita os atores históricos de diversas formas, por exemplo, pelo ordenamento de seus entendimentos do mundo social e de si mesmos, pela construção de suas identidades, metas, aspirações e pela representação de papeis significantes, ou não (EMIRBAYER E GOODWIN, 1994). Nesse sentido pode-se associar ao que Clegg (1998) chamou de desdiferenciação, que está presente na recusa pós-modernista de separar o autor da sua obra, ou a audiência da atuação; na transgressão pós-modernista da fronteira (mais bem ou mais mal sucedida) entre literatura e teoria, entre cultura de elite e cultura popular, entre o que é propriamente cultural e o que propriamente social. Que é complementado por Emirbayer e Goodwin (1994), que afirma que a autonomia individual é em si mesma um fenômeno construído; isto é, autonomia individual é somente possível pela multiplicidade de estruturas – societal e cultural – nas quais os atores sociais estão situados em algum dado momento. Também é possível através da localização dos atores entre a multiplicidade de culturas estruturais como idiomas, discursos e narrativas. Deve-se deixar claro que por outro lado, como afirma Clegg (1998), que as grandes narrativas do passado, com seus princípios de progresso, de racionalidade e de ciência deixaram de ter qualquer crédito.
Para Clegg (1998), os indivíduos e as agências, no interior e em redor das organizações, constituem atores cognoscíveis que ponderam os seus próprios interesses e as conveniências dos outros. As agências e os atores procuram influenciar as idéias veiculadas no quotidiano da vida, da tática e da estratégia organizacionais, recorrendo a todos os meios de podem dispor em situações mais ou menos complexas, caracterizadas por normas mais ou menos opacas e variáveis, tendo em vista o seu próprio proveito ou o de terceiros. Emirbayer e Goodwin (1994) enfatizam que agência humana significa que o momento de liberdade existe em uma dimensão analítica de toda instância empírica efetiva da ação social. Implica em toda capacidade socialmente incorporada dos atores em se apropriar, reproduzir e potencialmente inovar além da categoria cultural recebida e das condições de ação em acordo com seus ideais coletivos, interesses e comprometimentos.
Considerações finais
Dentro de cada área escolhida pelos autores supracitados há concordâncias ou entendimentos concernentes ao método de pesquisa. Cada qual de sua forma mostra a importância de estudos que contemplem aspectos que vão além do formal, que busquem entender a cultura e as estruturas nas quais os agentes participam. Cada época traz um arcabouço de referências necessárias para a interpretação de sua história, a busca por melhores entendimentos e análises é a melhor maneira de tentar entender o presente.
Referencias bibliográficas
CLEGG, S. R. As organizações modernas. Celta: Oieiras, Portugal, 1998.
EMIRBAYER, M.; GOODWIN, J. Network analysis, culture, and the problem of agency. The American Journal of Sociology, vol. 99, n. 6 (may). pp. 1411-1454. 1994.
quinta-feira, junho 24, 2010
Novos modos de consumo na sociedade capitalista
O consumo na sociedade capitalista é principal pilar de sustentação do sistema. É através do consumo que acontece "o salto mortal da mercadoria".
Muitas pessoas, leitoras e condizentes com a teoria marxiana são criticadas por serem consumidoras de produtos feitos através da exploração do trabalhador.
Neste sentido, lanço aqui uma ideia fundamental. Aqueles que acreditam numa outra alternativa de sistema econômico, devem se apropriar do que é saudável em gestão (palavra que alguns ditos marxistas evitam até de falar)e auxiliar no desenvolvimento de empreendimentos alternativos de produção. E por tabela serem seus principais consumidores.
Muitas pessoas, leitoras e condizentes com a teoria marxiana são criticadas por serem consumidoras de produtos feitos através da exploração do trabalhador.
Neste sentido, lanço aqui uma ideia fundamental. Aqueles que acreditam numa outra alternativa de sistema econômico, devem se apropriar do que é saudável em gestão (palavra que alguns ditos marxistas evitam até de falar)e auxiliar no desenvolvimento de empreendimentos alternativos de produção. E por tabela serem seus principais consumidores.
terça-feira, junho 15, 2010
Tempo é
Tempo é ordem
Tempo é duração
Tempo é estabilidade e estrutura
Tempo é persistência e permanência
Tempo é repetição, ciclo e ritmos
Tempo é começo e fim, pausa e transição
Tempo é a diferença entre o antes e o depois, a causa e o efeito
Tempo é vida e morte, crescimento e declínio, noite e dia
Tempo é mudança, transitoriedade e efemeridade
Tempo é evolução, história e desenvolvimento
Tempo é fluxo e transformação
Tempo é processo e potencial
Tempo é mutabilidade
Tempo é caos
Tempo é
Tempo é velocidade
Tempo é duração
Tempo é simultaneidade
Tempo é Chrono & Kairos
Tempo é passado, presente e futuro
Tempo é a sucessão de momentos
Tempo é memória, percepção & antecipação
Tempo é mercadoria & valor de troca
Tempo é medida de movimento
Tempo é, a priori, intuição
Tempo é instantaneidade
Tempo é um recurso
Tempo é dinheiro
Tempo é um presente
Tempo está
Tempo está voando
Tempo está passando
Tempo está continuando
Tempo não está esperando por ninguém
Tempo está desaparecendo como um sonho
Tempo está indo para sempre
Tempo está evaporando
Tempo está chegando
Tempo é tempo
Tempo é
ADAM, Barbara. Time. Cambridge: Polity Press, 2004.
Traduzido por Maria José Tonelli em seu trabalho sobre "Sentidos do Tempo e do Tempo de Trabalho na Vida Cotidiana"
Tempo é duração
Tempo é estabilidade e estrutura
Tempo é persistência e permanência
Tempo é repetição, ciclo e ritmos
Tempo é começo e fim, pausa e transição
Tempo é a diferença entre o antes e o depois, a causa e o efeito
Tempo é vida e morte, crescimento e declínio, noite e dia
Tempo é mudança, transitoriedade e efemeridade
Tempo é evolução, história e desenvolvimento
Tempo é fluxo e transformação
Tempo é processo e potencial
Tempo é mutabilidade
Tempo é caos
Tempo é
Tempo é velocidade
Tempo é duração
Tempo é simultaneidade
Tempo é Chrono & Kairos
Tempo é passado, presente e futuro
Tempo é a sucessão de momentos
Tempo é memória, percepção & antecipação
Tempo é mercadoria & valor de troca
Tempo é medida de movimento
Tempo é, a priori, intuição
Tempo é instantaneidade
Tempo é um recurso
Tempo é dinheiro
Tempo é um presente
Tempo está
Tempo está voando
Tempo está passando
Tempo está continuando
Tempo não está esperando por ninguém
Tempo está desaparecendo como um sonho
Tempo está indo para sempre
Tempo está evaporando
Tempo está chegando
Tempo é tempo
Tempo é
ADAM, Barbara. Time. Cambridge: Polity Press, 2004.
Traduzido por Maria José Tonelli em seu trabalho sobre "Sentidos do Tempo e do Tempo de Trabalho na Vida Cotidiana"
sábado, junho 12, 2010
O tempo tomou conta de mim
O tempo é meu objeto de pesquisa. A cada dia descubro o quão o tempo é complexo.
Segue algumas frases interessantes:
- As horas de loucura são medidas pelo relógio; mas nenhum relógio mede as de sabedoria (William Blake)
- A vida mede-se pela intensidade não pelo movimento do relógio (G.MacDonald)
- O coração é o relógio da vida. Quem não o consulta anda, naturalmente, fora do tempo (Machado de Assis)
- Os dias talvez sejam iguais para um relógio, mas não para um homem (Marcel Proust)
- A liberdade consiste em não usar relógio (Sofocleto)
Segue algumas frases interessantes:
- As horas de loucura são medidas pelo relógio; mas nenhum relógio mede as de sabedoria (William Blake)
- A vida mede-se pela intensidade não pelo movimento do relógio (G.MacDonald)
- O coração é o relógio da vida. Quem não o consulta anda, naturalmente, fora do tempo (Machado de Assis)
- Os dias talvez sejam iguais para um relógio, mas não para um homem (Marcel Proust)
- A liberdade consiste em não usar relógio (Sofocleto)
segunda-feira, junho 07, 2010
Linguagem baseada em Valores
A comunicação deve ser feita numa linguagem baseada em valores. O significado do discurso é de extrema importância para que a mensagem seja transmitida de forma correta. Mas que valores estaria eu falando?
No discurso de Hitler havia valores?
Quais os valores que estão da linguagem organizacional?
Até onde isso é verdadeiro ou apenas mais uma forma de alienação?
No discurso de Hitler havia valores?
Quais os valores que estão da linguagem organizacional?
Até onde isso é verdadeiro ou apenas mais uma forma de alienação?
sexta-feira, março 12, 2010
O conceito e formas de troca em Marx e Weber
Este ensaio começa com a abordagem baseada na Teoria das trocas de Peter Blau, constituída pela aplicação das teorias utilitaristas e da escolha racional. Para Blau (1964) a interação entre indivíduos ou coletividades tem como característica a busca pela maximização das recompensas sejam elas materiais ou não-materiais e redução dos custos. A interação só acontece e se mantém caso seja compensadora para as partes envolvidas. O resultado das trocas sociais são as estruturas sociais. Em relação à troca e poder, Blau (1964) demonstra que quatro recursos podem ser encontrados: dinheiro que serve para intermediar as trocas, aceitação social como forma de pertencimento a um grupo determinado pelas trocas, estima ou respeito que mensura o grau de poder nas trocas e aprovação social. O Poder é visto como causador de desigualdades nas trocas, não permitindo a maximização das recompensas.
Analisando as relações em um ambiente, Blau (1964) demonstra que a recompensa pela associação pode ser intrínseca ou extrínseca, este sendo explicado pelas forças sociais. As trocas sociais e econômicas possuem similaridades, ou seja, tanto na troca social como na troca econômica o indivíduo espera receber algo em troca. As diferenças entre estes dois tipos de troca se dá pelo seu grau de formalidade, uma vez que a troca econômica é feita através de contrato de forma a resultar em benefícios explícitos e a troca social visa benefícios extrínsecos.
II – Proposição
A proposta deste ensaio teórico é buscar em Marx e Weber a concepção das formas de troca. O argumento é feito sobre a hipótese de que as trocas são o princípio das relações entre as pessoas, permeando todas as formas de relações que configuram uma sociedade.
III – Discussão comentários
Para compreender as relações de troca primeiramente será necessário buscar em Weber (1991) o conceito de ação social, o qual é descrito como “ação social (incluindo omissão ou tolerância) orienta-se pelo comportamento de outros, seja este passado, presente ou esperado como futuro.” As trocas se configuram em uma ação social pois envolve o comportamento ativo de uma pessoa em relação à outra, que pode ser de modo racional, referente a valores, afetiva ou tradicional. As trocas de cunho racional se configuram pela articulação de uma estratégia buscando atingir desejado fim com vista a satisfazer determinado desejo. Trocas envolvendo ação referente à valores acontece através de ação consciente, na qual o indivíduo se baseia nos valores arraigados em seu modus vivendi, isto é, parte-se do pressuposto de que o indivíduo irá se basear pela “crença consciente no valor”. Na ação afetiva às trocas estão relacionadas à emoção como orientador do indivíduo. A ação tradicional se baseia nos costumes, sendo que as trocas são efetivadas levando-se em conta os fatores folclóricos que envolvem o indivíduo.
Para Marx a sociedade é composta por “uma imensa coleção de mercadorias”. Para que existam mercadorias é necessário que se processem mudanças no “modus vivendi” do homem, passando assim para uma vida em sociedade permeada por trocas entre o homem e a natureza primeiramente, e depois entre homens através da troca de mercadorias. A vida em sociedade, conforme Weber, é composta por regras e controle que caracterizam o entendimento de dominação e dominados. A sociedade tanto em Marx como em Weber pode ser descrita como um processo dinâmico de trocas nem sempre justas. O sistema capitalista ilustra bem o papel dos atores da sociedade, Marx descreve através da análise das lutas de classe, o comportamento dos agentes econômicos, principalmente das trocas existente entre capitalista e proletário. As trocas para Marx, são feitas para consolidação e manutenção do sistema capitalista, o mercado é composto por trabalhadores dispostos a oferecer a sua força de trabalho por determinado preço e o capitalista, proprietário dos meios de produção, disposto a adquirir esta força de trabalho por um tempo maior do que ele está disposto a pagar. A troca se efetua materializando a expropriação da mais-valia e alienação do trabalhador. Este processo é descrito em Weber como uma ação racional a um objetivo, pois do momento em que o trabalhador aceitou o contrato ele passa a aceitar as regras e controle imposto pelo capitalista, o qual busca realizar o lucro. As escolhas do indivíduo são determinadas pelo valor de troca em Marx, a posse de mercadorias é diretamente proporcional a seu poder de escolha. Se o indivíduo possui apenas a força de trabalho, as suas escolhas ficarão limitadas ao que receber de salário. No caso do indivíduo que possui mercadorias por conta da acumulação primitiva do capital, poderá fazer as escolhas que lhe convém, sendo que a principal delas será a reprodução ampliada do capital, própria para a sua manutenção como capitalista. Para Max Weber, o indivíduo escolhe ser o que é, conforme o grau de conhecimento e pelas oportunidades que a sociedade lhe oferece.
Marx estabelece em seus estudos duas classes principais, trabalhadores e capitalistas, que mantém em funcionamento um sistema econômico caracterizado pelas desigualdades sociais. Weber não vê possibilidade de relação social sem dominação, legitimada pela tradição, carisma ou racional.
Vemos aqui, que as trocas existem para que a dominação racional se sobreponha a qualquer outra forma de dominação, tanto carismática e principalmente a substantiva. Weber descreve a sua preocupação com o caráter racionalista de dominação, que traz como conseqüências a busca por resultados econômicos acima de qualquer coisa. A dominação racionalista toma forma em detrimento das relações em sociedade ditadas pela ética e solidariedade.
Marx mostra que o processo de trocas que sustenta o sistema capitalista produz desigualdades socioeconômicas, para que a exploração da força de trabalho que resulta na constante ampliação do capital, é necessária a existência de um grande exército de reserva, composto de trabalhadores disponíveis no mercado e pronto para oferecer a sua força de trabalho pelo salário proposto pelos capitalistas.
As trocas entre indivíduos são necessárias para a manutenção de uma sociedade. O grande conflito está na forma que estas trocas são feitas. Numa sociedade caracterizada pelo sistema capitalista a desigualdade é conditio sine qua non para a sua perpetuação. A oposição de forças determina a dinâmica e o contexto da vida social. A força dominante composta de um conjunto pessoas pertencentes a grupo ou organizações, detentoras do capital, estabelecem a autoridade legítima forjada pelo exercício do poder. A grande parcela dos indivíduos é dominada para que as trocas sejam feitas dentro das condições oferecidas, determinando o destino de poucas escolhas e perpetuação do sistema.
Analisando as relações em um ambiente, Blau (1964) demonstra que a recompensa pela associação pode ser intrínseca ou extrínseca, este sendo explicado pelas forças sociais. As trocas sociais e econômicas possuem similaridades, ou seja, tanto na troca social como na troca econômica o indivíduo espera receber algo em troca. As diferenças entre estes dois tipos de troca se dá pelo seu grau de formalidade, uma vez que a troca econômica é feita através de contrato de forma a resultar em benefícios explícitos e a troca social visa benefícios extrínsecos.
II – Proposição
A proposta deste ensaio teórico é buscar em Marx e Weber a concepção das formas de troca. O argumento é feito sobre a hipótese de que as trocas são o princípio das relações entre as pessoas, permeando todas as formas de relações que configuram uma sociedade.
III – Discussão comentários
Para compreender as relações de troca primeiramente será necessário buscar em Weber (1991) o conceito de ação social, o qual é descrito como “ação social (incluindo omissão ou tolerância) orienta-se pelo comportamento de outros, seja este passado, presente ou esperado como futuro.” As trocas se configuram em uma ação social pois envolve o comportamento ativo de uma pessoa em relação à outra, que pode ser de modo racional, referente a valores, afetiva ou tradicional. As trocas de cunho racional se configuram pela articulação de uma estratégia buscando atingir desejado fim com vista a satisfazer determinado desejo. Trocas envolvendo ação referente à valores acontece através de ação consciente, na qual o indivíduo se baseia nos valores arraigados em seu modus vivendi, isto é, parte-se do pressuposto de que o indivíduo irá se basear pela “crença consciente no valor”. Na ação afetiva às trocas estão relacionadas à emoção como orientador do indivíduo. A ação tradicional se baseia nos costumes, sendo que as trocas são efetivadas levando-se em conta os fatores folclóricos que envolvem o indivíduo.
Para Marx a sociedade é composta por “uma imensa coleção de mercadorias”. Para que existam mercadorias é necessário que se processem mudanças no “modus vivendi” do homem, passando assim para uma vida em sociedade permeada por trocas entre o homem e a natureza primeiramente, e depois entre homens através da troca de mercadorias. A vida em sociedade, conforme Weber, é composta por regras e controle que caracterizam o entendimento de dominação e dominados. A sociedade tanto em Marx como em Weber pode ser descrita como um processo dinâmico de trocas nem sempre justas. O sistema capitalista ilustra bem o papel dos atores da sociedade, Marx descreve através da análise das lutas de classe, o comportamento dos agentes econômicos, principalmente das trocas existente entre capitalista e proletário. As trocas para Marx, são feitas para consolidação e manutenção do sistema capitalista, o mercado é composto por trabalhadores dispostos a oferecer a sua força de trabalho por determinado preço e o capitalista, proprietário dos meios de produção, disposto a adquirir esta força de trabalho por um tempo maior do que ele está disposto a pagar. A troca se efetua materializando a expropriação da mais-valia e alienação do trabalhador. Este processo é descrito em Weber como uma ação racional a um objetivo, pois do momento em que o trabalhador aceitou o contrato ele passa a aceitar as regras e controle imposto pelo capitalista, o qual busca realizar o lucro. As escolhas do indivíduo são determinadas pelo valor de troca em Marx, a posse de mercadorias é diretamente proporcional a seu poder de escolha. Se o indivíduo possui apenas a força de trabalho, as suas escolhas ficarão limitadas ao que receber de salário. No caso do indivíduo que possui mercadorias por conta da acumulação primitiva do capital, poderá fazer as escolhas que lhe convém, sendo que a principal delas será a reprodução ampliada do capital, própria para a sua manutenção como capitalista. Para Max Weber, o indivíduo escolhe ser o que é, conforme o grau de conhecimento e pelas oportunidades que a sociedade lhe oferece.
Marx estabelece em seus estudos duas classes principais, trabalhadores e capitalistas, que mantém em funcionamento um sistema econômico caracterizado pelas desigualdades sociais. Weber não vê possibilidade de relação social sem dominação, legitimada pela tradição, carisma ou racional.
Vemos aqui, que as trocas existem para que a dominação racional se sobreponha a qualquer outra forma de dominação, tanto carismática e principalmente a substantiva. Weber descreve a sua preocupação com o caráter racionalista de dominação, que traz como conseqüências a busca por resultados econômicos acima de qualquer coisa. A dominação racionalista toma forma em detrimento das relações em sociedade ditadas pela ética e solidariedade.
Marx mostra que o processo de trocas que sustenta o sistema capitalista produz desigualdades socioeconômicas, para que a exploração da força de trabalho que resulta na constante ampliação do capital, é necessária a existência de um grande exército de reserva, composto de trabalhadores disponíveis no mercado e pronto para oferecer a sua força de trabalho pelo salário proposto pelos capitalistas.
As trocas entre indivíduos são necessárias para a manutenção de uma sociedade. O grande conflito está na forma que estas trocas são feitas. Numa sociedade caracterizada pelo sistema capitalista a desigualdade é conditio sine qua non para a sua perpetuação. A oposição de forças determina a dinâmica e o contexto da vida social. A força dominante composta de um conjunto pessoas pertencentes a grupo ou organizações, detentoras do capital, estabelecem a autoridade legítima forjada pelo exercício do poder. A grande parcela dos indivíduos é dominada para que as trocas sejam feitas dentro das condições oferecidas, determinando o destino de poucas escolhas e perpetuação do sistema.
quarta-feira, março 10, 2010
Mudanças no processo de produção e alienação
A lógica do processo de produção capitalista se baseia na maximização do lucro, que está diretamente relacionado com a questão salarial, ou seja, salário representa um custo que deve ser mínimo. Para obtenção de um salário mínimo torna-se imprescindível o aumento da oferta da mão-de-obra no mercado, que proporciona um “exército de reserva” para existências das “trocas” entre trabalhadores e capitalistas. Como descrito por Marx (1982), no mercado se encontram: os capitalistas interessados em contratar trabalhadores que proporcionem o maior lucro possível e, os trabalhadores dispostos a trabalhar por um salário justo. Neste encontro fecha-se um acordo no qual vai ser definido o grau de exploração medido através da taxa de mais-valia, obtida pela proporção entre tempo de trabalho necessário e tempo de trabalho extra. Quanto maior a jornada de trabalho, maior será a taxa de mais-valia e consequentemente o lucro . O capitalista também pode aumentar a taxa da mais-valia através do barateamento dos produtos, dado aumento da produtividade, da cesta de bens de manutenção do trabalhador, quanto mais baixo o preço dos bens de consumo dos trabalhadores, menor será o salário necessário a ser pago .
A alienação do trabalhador está diretamente relacionada com a expropriação da mais-valia. No momento em que o trabalhador aceita o contrato de trabalho ele está alienando a sua força de trabalho por determinado período, o qual será dedicado para a produção do trabalho necessário para pagar o seu salário e produzir a mais-valia para o capitalista.
Na revolução industrial a alienação se caracterizava pela extensa jornada de trabalho, de catorze a dezoito horas, pela qual o trabalhador recebia determinado salário. As reivindicações dos trabalhadores nesta época sempre primavam pela redução da jornada de trabalho e aumento salarial.
Com o avanço dos estudos sobre o processo de produção, principalmente desenvolvidos por Fayol, Taylor e Ford, foi possível aumentar a produtividade do trabalhador. Cedendo assim na questão da redução da jornada de trabalho sem grandes prejuízos para a manutenção do lucro .
Na metade do século vinte surgem estudos que visam determinar o comportamento do trabalhador, buscando adequar as ansiedades do trabalhador ao processo produtivo, tornando possível uma nova configuração na qual o trabalhador perde paulatinamente a noção de exploração e alienação e ganha novo direcionamento baseado na motivação. Mesmo assim, até meados dos anos 1970 o trabalhador ainda continuava sendo visto como uma parte do processo produtivo, predominando o gerenciamento no estilo fordista, o qual era caracterizado pela tomada de decisões “de cima para baixo”. O trabalhador apenas precisava produzir conforme lhe era indicado, terminado seu turno, podia voltar para casa sem se preocupar com o trabalho.
Com o advento de novas formas de administrar a produção, empregadas inicialmente no Japão, conhecidas como toyotismo e caracterizadas por uma produção flexível, o trabalhador passou a ser peça chave no novo processo de produção. O sistema de produção agora funcionava baseado na adaptação da produção conforme a demanda, Nesse processo o trabalhador ganha status de “capital humano” e ocupa lugar de destaque nas decisões de produção, agora as decisões são feitas de forma envolver o trabalhador na missão da empresa.
Neste novo padrão de produção, a alienação ganha uma nova forma, sendo estendida além da jornada de trabalho formal, ocupando o trabalhador após expediente através da necessidade de estar planejando novas formas de melhorar o seu desempenho dentro da empresa. Além disso, conforme Motta (1990),
a conquista ideológica dos empregados pela empresa parece basear-se no fato de que ela lhes oferece uma interpretação da realidade que parece coerente com as práticas sociais dos indivíduos. É dessa forma que os jornais da empresa salientam o “sentimento de pertencer” do empregado com relação à empresa, fazendo transparecer uma igualdade ou semelhança dos objetivos individuais com os da organização.
Agora o trabalhador tem que “vestir a camisa” da empresa e se doar por inteiro, pois segundo a lógica praticada pelo capitalismo, ele não é apenas mais um dentro da empresa, ele é a empresa e sua necessidade de lucratividade. Segundo Tragtenberg (2004, p.60),
a organização apropria-se de nosso corpo de tal forma que qualquer ruptura aparece-nos como uma auto-ruptura. É aí que a adesão à organização encontra um de seus fundamentos; o corpo, que adere à organização visualizando a possibilidade de uma ruptura, reage com alta carga de ansiedade. Controladores e controlados, engajados no mesmo processo, participam de uma comunidade de destino: a organização da racionalidade... A organização realiza um processo concomitante: destruição e unificação. O homem dividido na execução de suas tarefas parceladas, isolado no seio da grande metrópole, é reagrupado no interior das imagens organizacionais.
Com o aumento da produtividade há também o aumento no desemprego, embora parte da mão-de-obra seja absorvida em outros setores da economia, há uma parte que fica marginalizada, sem condições de emprego e renda.
A alienação do trabalhador está diretamente relacionada com a expropriação da mais-valia. No momento em que o trabalhador aceita o contrato de trabalho ele está alienando a sua força de trabalho por determinado período, o qual será dedicado para a produção do trabalho necessário para pagar o seu salário e produzir a mais-valia para o capitalista.
Na revolução industrial a alienação se caracterizava pela extensa jornada de trabalho, de catorze a dezoito horas, pela qual o trabalhador recebia determinado salário. As reivindicações dos trabalhadores nesta época sempre primavam pela redução da jornada de trabalho e aumento salarial.
Com o avanço dos estudos sobre o processo de produção, principalmente desenvolvidos por Fayol, Taylor e Ford, foi possível aumentar a produtividade do trabalhador. Cedendo assim na questão da redução da jornada de trabalho sem grandes prejuízos para a manutenção do lucro .
Na metade do século vinte surgem estudos que visam determinar o comportamento do trabalhador, buscando adequar as ansiedades do trabalhador ao processo produtivo, tornando possível uma nova configuração na qual o trabalhador perde paulatinamente a noção de exploração e alienação e ganha novo direcionamento baseado na motivação. Mesmo assim, até meados dos anos 1970 o trabalhador ainda continuava sendo visto como uma parte do processo produtivo, predominando o gerenciamento no estilo fordista, o qual era caracterizado pela tomada de decisões “de cima para baixo”. O trabalhador apenas precisava produzir conforme lhe era indicado, terminado seu turno, podia voltar para casa sem se preocupar com o trabalho.
Com o advento de novas formas de administrar a produção, empregadas inicialmente no Japão, conhecidas como toyotismo e caracterizadas por uma produção flexível, o trabalhador passou a ser peça chave no novo processo de produção. O sistema de produção agora funcionava baseado na adaptação da produção conforme a demanda, Nesse processo o trabalhador ganha status de “capital humano” e ocupa lugar de destaque nas decisões de produção, agora as decisões são feitas de forma envolver o trabalhador na missão da empresa.
Neste novo padrão de produção, a alienação ganha uma nova forma, sendo estendida além da jornada de trabalho formal, ocupando o trabalhador após expediente através da necessidade de estar planejando novas formas de melhorar o seu desempenho dentro da empresa. Além disso, conforme Motta (1990),
a conquista ideológica dos empregados pela empresa parece basear-se no fato de que ela lhes oferece uma interpretação da realidade que parece coerente com as práticas sociais dos indivíduos. É dessa forma que os jornais da empresa salientam o “sentimento de pertencer” do empregado com relação à empresa, fazendo transparecer uma igualdade ou semelhança dos objetivos individuais com os da organização.
Agora o trabalhador tem que “vestir a camisa” da empresa e se doar por inteiro, pois segundo a lógica praticada pelo capitalismo, ele não é apenas mais um dentro da empresa, ele é a empresa e sua necessidade de lucratividade. Segundo Tragtenberg (2004, p.60),
a organização apropria-se de nosso corpo de tal forma que qualquer ruptura aparece-nos como uma auto-ruptura. É aí que a adesão à organização encontra um de seus fundamentos; o corpo, que adere à organização visualizando a possibilidade de uma ruptura, reage com alta carga de ansiedade. Controladores e controlados, engajados no mesmo processo, participam de uma comunidade de destino: a organização da racionalidade... A organização realiza um processo concomitante: destruição e unificação. O homem dividido na execução de suas tarefas parceladas, isolado no seio da grande metrópole, é reagrupado no interior das imagens organizacionais.
Com o aumento da produtividade há também o aumento no desemprego, embora parte da mão-de-obra seja absorvida em outros setores da economia, há uma parte que fica marginalizada, sem condições de emprego e renda.
quinta-feira, maio 21, 2009
O movimentos dos sem tempo continua!
Até quando continuaremos a aceitar "livremente" a (o)pressão ditada pelo capital? Até quando iremos deixar de viver para que os capitalistas ganaciosos, que também não vivem, pois precisam vigiar o capital e sua reprodução ampliada, tenham realizados suas metas irracionais? O meio ambiente está se manisfestando, mostrando que essa corrida desenfreada pelo lucro está destruindo nosso mundo. A resposta dos capitalistas é continuar a produzir e explorar mais, só que agora de forma mais camuflada através de pseudo campanha pró-sustentabilidade.
A luta por melhores condições de trabalho está restrita à luta pela conservação do emprego, os trabalhadores estão numa armadilha que não deixa saída, a não ser trabalhar mais e mais para se manter empregado.
A saída para este sistema econômico auto-destrutivo está na mudança radical de concepção de mundo, está na aceitação da humildade como regra geral em detrimento do egoísmo. A saída está na produção auto-sustentável, priorizando a produção de bens e serviços úteis e vez da produção de bens supérfluos.
Com a tecnologia atual, este novo mundo é possível com menos esforço do que seria a vinte anos atrás. Atualmente é possível se comunicar quase que instantaneamente com o mundo todo, o que torna possível a proposição de mudanças para quase todos os povos.
Um mundo novo passa pela reeducação dos hábitos consumistas, conscientizando as pessoas de que o consumo de bens de luxo são um desperdício de recursos, que satisfazem alguns e entristecem muitos que não tem o básico.
Podem alegar que isso poderá levar a milhões de pessoas ao desemprego, mas isso não é verdade. Com a diminuição do consumo de bens de luxo aumentará a demanda por tecnologias limpas e produção de bens consumo com responsabilidade social, elevando o número de empregos em áreas ainda não exploradas.
É preciso mostrar o mundo que ser chique é não ser chique como dita a moda, mas sim entender o seu papel no mundo e trabalhar para a sua transformação em um mundo melhor e mais igualitário.
A luta por melhores condições de trabalho está restrita à luta pela conservação do emprego, os trabalhadores estão numa armadilha que não deixa saída, a não ser trabalhar mais e mais para se manter empregado.
A saída para este sistema econômico auto-destrutivo está na mudança radical de concepção de mundo, está na aceitação da humildade como regra geral em detrimento do egoísmo. A saída está na produção auto-sustentável, priorizando a produção de bens e serviços úteis e vez da produção de bens supérfluos.
Com a tecnologia atual, este novo mundo é possível com menos esforço do que seria a vinte anos atrás. Atualmente é possível se comunicar quase que instantaneamente com o mundo todo, o que torna possível a proposição de mudanças para quase todos os povos.
Um mundo novo passa pela reeducação dos hábitos consumistas, conscientizando as pessoas de que o consumo de bens de luxo são um desperdício de recursos, que satisfazem alguns e entristecem muitos que não tem o básico.
Podem alegar que isso poderá levar a milhões de pessoas ao desemprego, mas isso não é verdade. Com a diminuição do consumo de bens de luxo aumentará a demanda por tecnologias limpas e produção de bens consumo com responsabilidade social, elevando o número de empregos em áreas ainda não exploradas.
É preciso mostrar o mundo que ser chique é não ser chique como dita a moda, mas sim entender o seu papel no mundo e trabalhar para a sua transformação em um mundo melhor e mais igualitário.
quarta-feira, maio 07, 2008
Relação entre a Taxa de mais-valia e a alienação do trabalhador
A taxa de mais-valia (TMV) mostra a relação na jornada de trabalho entre o trabalho necessário (TN) e o trabalho excedente (TE). A jornada de trabalho é o período em que o trabalhador produz determindo quantum de valor suficiente para o seu sustento diário, ou seja, é igual ao trabalho necessário (TN). Com o advento do capitalismo e a venda da força de trabalho, a jornada de trabalho tornou-se mais prolongada, juntando trabalho necessário uma parcela chamada de trabalho excedente (TE). O trabalho excedente proporciona ao capitalista a expropriação da mais-valia, quanto maior o TE, maior a mais-valia. A TMV também aumenta com o prolongamento do TE.
A alienação do trabalhador acontece no momento em que o trabalhador vende a sua força de trabalho para o capitalista em troca de um salário. A alienação será tanto maior quanto maior for a jornada de trabalho. Pressupondo uma jornada com trabalho necessário fixo, a alienação aumentará com o aumento do TE, e consequentemente há uma relação direta entre a alienação e a TMV.
A alienação do trabalhador acontece no momento em que o trabalhador vende a sua força de trabalho para o capitalista em troca de um salário. A alienação será tanto maior quanto maior for a jornada de trabalho. Pressupondo uma jornada com trabalho necessário fixo, a alienação aumentará com o aumento do TE, e consequentemente há uma relação direta entre a alienação e a TMV.
A questão do trabalho socialmente necessário
Trabalho socialmente necessário é o tempo de trabalho social médio utilizado no processo de produção de determinado produto. O trabalho socialmente necessário determina o valor social da mercadoria. O valor de um produto é medido pelo tempo de trabalho despendido para produzi-lo. A mercadoria quando pronta, será vendida com base no trabalho cristalizado nela. O tempo de trabalho deverá ser calculado com base no tempo médio de produção da mercadoria por diferentes produtores, pois, cada produtor irá levar mais ou menos tempo dependendo de suas habilidades. O aumento da produtividade em determinado setor de produção influi diretamente no tempo de trabalho socialmente necessário, quanto maior a produtividade, menor o tempo de trabalho socialmente necessário naquele setor.
Diferença entre divisão do trabalho e divisão social do trabalho
A divisão do trabalho é o processo de produção através do parcelamento das etapas da fabricação de determinado produto, que visa aumentar a produtividade. Pode-se citar como exemplo a produção de um móvel, que envolve várias pessoas na confecção de suas diversas partes, cada qual fazendo uma parte do produto o qual será montado também em diversas etapas, cada qual com um trabalhador especializado.
A divisão social do trabalho engloba a produção agregada de mercadorias. Pode-se afirmar que o PIB de um país está diretamente relacionado com a divisão social do trabalho. A divisão social do trabalho tende a ser maior em países desenvolvidos. Enquanto a divisão do trabalho faz parte da otimização do processo de produção de uma mercadoria, a divisão social do trabalo mostra o grau de desenvolvimento de uma sociedade. Quanto maior o número de mercadorias existentes, maior o grau de civilização. Entenda-se mercadorias diversificadas, atendendo as mais diversas necessidades dos agentes econômicos.
A divisão social do trabalho engloba a produção agregada de mercadorias. Pode-se afirmar que o PIB de um país está diretamente relacionado com a divisão social do trabalho. A divisão social do trabalho tende a ser maior em países desenvolvidos. Enquanto a divisão do trabalho faz parte da otimização do processo de produção de uma mercadoria, a divisão social do trabalo mostra o grau de desenvolvimento de uma sociedade. Quanto maior o número de mercadorias existentes, maior o grau de civilização. Entenda-se mercadorias diversificadas, atendendo as mais diversas necessidades dos agentes econômicos.
quinta-feira, novembro 29, 2007
Mais-valia flexível
Definição
Mais-valia resultante do processo de reestruturação produtiva. Consiste no acúmulo de tarefas assumidas pelos trabalhadores devido às mudanças no mercado de trabalho. Os trabalhadores precisaram se adaptar às exigências do capital. Isso significou maior carga de trabalho disfarçada, o trabalhador desempenha as suas atividades durante a jornada de trabalho oficial e extra-oficial. A competitividade entre empresas trouxe maiores necessidades de adaptação às demandas de mercado. O ritmo acelerado exige trabalhadores competitivos, concentrados em suas atividades laborais e que estejam sempre inovando. Estas novas exigências fazem com que o trabalho extrapole o horário oficial, tornando o trabalhador um ser unilateral, colocando todas as suas capacidades para manter-se no emprego.
Com isso, temos este novo conceito, que é um misto da mais-valia absoluta e mais valia relativa.
Mais-valia resultante do processo de reestruturação produtiva. Consiste no acúmulo de tarefas assumidas pelos trabalhadores devido às mudanças no mercado de trabalho. Os trabalhadores precisaram se adaptar às exigências do capital. Isso significou maior carga de trabalho disfarçada, o trabalhador desempenha as suas atividades durante a jornada de trabalho oficial e extra-oficial. A competitividade entre empresas trouxe maiores necessidades de adaptação às demandas de mercado. O ritmo acelerado exige trabalhadores competitivos, concentrados em suas atividades laborais e que estejam sempre inovando. Estas novas exigências fazem com que o trabalho extrapole o horário oficial, tornando o trabalhador um ser unilateral, colocando todas as suas capacidades para manter-se no emprego.
Com isso, temos este novo conceito, que é um misto da mais-valia absoluta e mais valia relativa.
segunda-feira, outubro 22, 2007
A situação de alienação do trabalhador e seu impacto na divisão social do trabalho, trabalho socialmente necessário e trabalho necessário.
Divisão social do trabalho siginifica a divisão de atribuições para a produção de diferentes mercadorias, quanto mais mercadorias de diferentes usos forem criadas maior é a divisão social do trabalho. As inovações proporcionadas pela tecnologia proporciona uma miríade de produtos de diversas utilidades, contribuindo dessa forma para uma maior divisão social do trabalho. A divisão social do trabalho atual proporciona o acesso a uma proporção de mercadorias bem maior do que no início do século XX. Na década de 1980 por exemplo, poucas pessoas tinham acesso a internet ou a celulares, sendo que atualmente muitas pessoas não conseguem se ver sem tais mercadorias. Quanto maiores as necessidades criadas pela mídia, maior será a divisão social do trabalho. Hoje o setor de serviços é que mais cresce no mundo, até a década de 1970 o setor que dominava era a indústria, ou seja as transformações resultantes da reestruturação produtiva proporcionaram novas mercadorias e serviços.
O trabalho socialmente necessário é um conceito relativo a quantum de trabalho. Uma mercadoria será avaliada pelo tempo de trabalho utilizado para a sua produção, uma vez que segundo a teoria do valor trabalho presente nas teorias dos economistas clássicos já demonstravam que só o trabalho cria valor. Para trocar esta mercadoria por outra é preciso levar em conta o tempo que esta mercadoria leva para ser produzida por todos que trabalham com a produção de determinada mercadoria. Nesse caso será observado que diferentes tempos de produção, enquanto um produz e determinado período, outros podem levar o dobro do tempo para produzí-la. O preço será determinado pelo tempo de trabalho socialmente necessário, que representa o tempo modal, isto é, o tempo que se repete mais na produção de tal mercadoria por diferentes produtores. Exemplificando, se uma mercadoria é produzida por dez trabalhadores, possuindo os seguintes tempos de produção em horas: 3; 3; 3; 4; 4; 4; 4; 5; 5; 6, pode se afirmar que o preço determinado pelo tempo de trabalho socialmente necessário será o equivalente a 4 horas de trabalho.
O conceito de trabalho necessário segundo Marx, se refere àquele tempo de trabalho utilizado para que o trabalhador, dados os meios de produção, produza o suficiente para se manter dentro das condições necessárias para viver, procriar e manter a prole.
Marx usa o termo alienação para explicar as relações entre o trabalhador livre e o capitalista. No mercado haverá trabalhadores oferecendo a sua mercadoria que é a força de trabalho, e o capitalista que quer adquirir tal mercadoria por um determinado tempo e preço. Ao fecharem negócio, o trabalhador irá alienar sua força de trabalho ao capitalista. Esta alienação será maior quanto maior for a jornada de trabalho. Por este tempo de trabalho acordado, o trabalhador irá receber um salário referente ao período de alienação da sua força de trabalho.
Quanto maior a divisão social do trabalho, maior a possibilidade do trabalhador alienar a sua força de trabalho, pois haverá mais capitalistas procurando por ele. Por outro lado, o trabalho socialmente necessário pode até diminuir, mas a alienação não terá redução devido ao fato de que o capitalista visa sempre um aumento do lucro, nesse caso haverá um aumento da produtividade sem diminuição da jornada de trabalho. O trabalhador sempre irá alienar a sua força de trabalho por um período maior do que o tempo de trabalho necessário, pois o capitalista visa a expropriação da mais-valia, para isso ele contrata o trabalhador por determinada jornada de trabalho acima do tempo de trabalho necessário. Pode se concluir que quanto maior a alienação do trabalhador, maior será a expropriação da mais-valia pelo capitalista.
O trabalho socialmente necessário é um conceito relativo a quantum de trabalho. Uma mercadoria será avaliada pelo tempo de trabalho utilizado para a sua produção, uma vez que segundo a teoria do valor trabalho presente nas teorias dos economistas clássicos já demonstravam que só o trabalho cria valor. Para trocar esta mercadoria por outra é preciso levar em conta o tempo que esta mercadoria leva para ser produzida por todos que trabalham com a produção de determinada mercadoria. Nesse caso será observado que diferentes tempos de produção, enquanto um produz e determinado período, outros podem levar o dobro do tempo para produzí-la. O preço será determinado pelo tempo de trabalho socialmente necessário, que representa o tempo modal, isto é, o tempo que se repete mais na produção de tal mercadoria por diferentes produtores. Exemplificando, se uma mercadoria é produzida por dez trabalhadores, possuindo os seguintes tempos de produção em horas: 3; 3; 3; 4; 4; 4; 4; 5; 5; 6, pode se afirmar que o preço determinado pelo tempo de trabalho socialmente necessário será o equivalente a 4 horas de trabalho.
O conceito de trabalho necessário segundo Marx, se refere àquele tempo de trabalho utilizado para que o trabalhador, dados os meios de produção, produza o suficiente para se manter dentro das condições necessárias para viver, procriar e manter a prole.
Marx usa o termo alienação para explicar as relações entre o trabalhador livre e o capitalista. No mercado haverá trabalhadores oferecendo a sua mercadoria que é a força de trabalho, e o capitalista que quer adquirir tal mercadoria por um determinado tempo e preço. Ao fecharem negócio, o trabalhador irá alienar sua força de trabalho ao capitalista. Esta alienação será maior quanto maior for a jornada de trabalho. Por este tempo de trabalho acordado, o trabalhador irá receber um salário referente ao período de alienação da sua força de trabalho.
Quanto maior a divisão social do trabalho, maior a possibilidade do trabalhador alienar a sua força de trabalho, pois haverá mais capitalistas procurando por ele. Por outro lado, o trabalho socialmente necessário pode até diminuir, mas a alienação não terá redução devido ao fato de que o capitalista visa sempre um aumento do lucro, nesse caso haverá um aumento da produtividade sem diminuição da jornada de trabalho. O trabalhador sempre irá alienar a sua força de trabalho por um período maior do que o tempo de trabalho necessário, pois o capitalista visa a expropriação da mais-valia, para isso ele contrata o trabalhador por determinada jornada de trabalho acima do tempo de trabalho necessário. Pode se concluir que quanto maior a alienação do trabalhador, maior será a expropriação da mais-valia pelo capitalista.
A mercadoria e seu valor como componentes da fórmula geral do capital em Marx
Segundo Marx, a riqueza nada mais é que um conjunto de mercadorias. Cada mercadoria equivale a um valor criado através do trabalho, a mercadoria vale pelo trabalho cristalizado que ela contém. Uma mercadoria não possui valor de uso, apenas valor de troca. Valor de uso é característica presente no trabalho útil, um trabalho que não crie valor de uso é um trabalho inútil. Quando o trabalho empregado se destina a criar valor de uso entende-se que o produto final será consumido ou utilizado por que produziu aquele valor de uso. Se o valor criado se destina à troca, logo ele adquire valor de troca.
Nesse contexto há duas intenções para que a mercadoria seja trocada no mercado, uma delas significa que determinado trabalhador produz uma mercadoria mas não vai consumí-la, pois pretende trocá-la por outra no mercado. Marx conceitua esta forma de troca como M-D-M, em que M representa a mercadoria possuidora de valor de troca e D significa o dinheiro adquirido pela venda de tal mercadoria. Este movimento demonstra que o trabalhador fez determinada mercadoria e a vendeu no mercado por determinado preço, com o dinheiro auferido adquiriu outra mercadoria. A outra intenção para troca de mercadoria é ilustrada da seguinte forma: D-M-D, ou seja, com a posse do dinheiro, uma mercadoria é adquirida e vendida novamente. Mas qual é a vantagem em comprar determinada mercadoria e revendê-la pelo mesmo preço? Aqui que entra a explicação de Marx para o capitalismo, ele demonstra que para o capitalista a fórmula do capital é a seguinte: D-M-D’, em que D’ significa ∆ + D, sendo que ∆ é chamado de mais-valia. Marx também explica que esta mais-valia depende do valor a mais cristalizado na mercadoria, ou seja a mercadoria precisa adquirir um valor maior para que seja revendida no mercado por um preço maior. Este mais-valia tem que ser fruto do trabalho, uma vez que apenas o trabalho cria valor.
Nesse contexto há duas intenções para que a mercadoria seja trocada no mercado, uma delas significa que determinado trabalhador produz uma mercadoria mas não vai consumí-la, pois pretende trocá-la por outra no mercado. Marx conceitua esta forma de troca como M-D-M, em que M representa a mercadoria possuidora de valor de troca e D significa o dinheiro adquirido pela venda de tal mercadoria. Este movimento demonstra que o trabalhador fez determinada mercadoria e a vendeu no mercado por determinado preço, com o dinheiro auferido adquiriu outra mercadoria. A outra intenção para troca de mercadoria é ilustrada da seguinte forma: D-M-D, ou seja, com a posse do dinheiro, uma mercadoria é adquirida e vendida novamente. Mas qual é a vantagem em comprar determinada mercadoria e revendê-la pelo mesmo preço? Aqui que entra a explicação de Marx para o capitalismo, ele demonstra que para o capitalista a fórmula do capital é a seguinte: D-M-D’, em que D’ significa ∆ + D, sendo que ∆ é chamado de mais-valia. Marx também explica que esta mais-valia depende do valor a mais cristalizado na mercadoria, ou seja a mercadoria precisa adquirir um valor maior para que seja revendida no mercado por um preço maior. Este mais-valia tem que ser fruto do trabalho, uma vez que apenas o trabalho cria valor.
quinta-feira, junho 14, 2007
Keynes e Marx
Dois expoentes da literatura econômica: Keynes e Marx. As transformações ocorridas na economia mundial sempre foi permeada por idéias desses dois pensadores da economia. Marx, ao demonstrar o funcionamento da economia através da exploração do trabalhador, deixou claro que o crescimento do capitalismo era resultado da expropriação da mais-valia. O capitalista é aquele sujeito que procura acumular riquezas através do trabalho alheio, quanto mais ele explora mais rico fica. Nesse círculo vicioso, a economia fica caracterizada pela desigualdade social, em que aquele que tem, cada vez tem mais. A saída, segundo Marx, estava no esgotamento desse processo devido a substituição da máquina pelo homem, ou seja quanto mais máquinas, maior será a composição orgânica do capital. Com isso, menos empregos, salários mais baixos e consequente colapso da economia devido a falta de demanda.
Keynes trouxe uma nova discussão acerca do papel do Estado na economia, ele demonstrou que a economia pode ter períodos de crescimento contínuo, evitando os ciclos de depressão. Para isso bastava que o Estado financiasse o consumo extra, necessário para atender uma demanda efetiva em uma situação de pleno emprego.
Com as idéias keynesianas, o mundo conheceu os anos dourados, período que vai de 1945 a 1970.
Keynes trouxe uma nova discussão acerca do papel do Estado na economia, ele demonstrou que a economia pode ter períodos de crescimento contínuo, evitando os ciclos de depressão. Para isso bastava que o Estado financiasse o consumo extra, necessário para atender uma demanda efetiva em uma situação de pleno emprego.
Com as idéias keynesianas, o mundo conheceu os anos dourados, período que vai de 1945 a 1970.
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